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Nota máxima só foi atribuída a 14,5% dos cursos na comparação com a média geral; conceito E foi para 12,7%. Governo quer mudar sistema em 2004.
No último Exame Nacional de Cursos — o Provão — feito dentro do modelo criado pelo ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso, nenhum dos 5.897 cursos superiores avaliados conseguiu nota absoluta acima de 80 pontos (de zero a 100), o que garantiria o conceito A. No entanto, o Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação (Inep/MEC) fez, como nos anos anteriores, um cálculo estatístico e reposicionou os conceitos ao longo da curva das notas dos cursos. Sem isso, além de não haver cursos nível A, mais da metade 58,2% dos cursos ficaria com nota D (resultado entre 20 e 40 pontos). Essa distorção é um dos argumentos do atual Governo para mudar o Provão em 2004. No resultado final, o Inep usa como parâmetro uma nota relativa baseada na média geral de todos os cursos. Para fazer esse cálculo, o instituto tira, primeiro, a média de cada um dos cursos avaliados.
Por esse sistema - que, na prática, abaixou o número mínimo de pontos para cada conceito —, só duas das 26 áreas do conhecimento avaliadas (ver quadro) tiveram cursos que atingiram média acima de 50: odontologia (56) e fonoaudiologia (55,7). Do total de cursos avaliados, 14,5% atingiram o conceito A e 12,7% ficaram com E, o mais baixo. Na cidade de São Paulo, 50 cursos atingiram nota A e 36, E. No ano que vem, o MEC pretende substituir o Provão pelo Sistema Nacional de Avaliação e Progresso da Educação Superior. Está prevista a criação do Índice do Desenvolvimento do Ensino Superior (Ides), que será atribuído a cada curso e a cada instituição. No lugar da prova única, feita por todos os formandos, o MEC quer aplicar duas provas: uma no final do primeiro ano e outra no final do último ano do curso. A avaliação geral será feita a cada três anos e, anualmente, serão escolhidos algumas áreas de conhecimento. Em 2004, a idéia é avaliar ciências da saúde, ciências biológicas e educação.
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