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Na nota real, nenhum curso superior teve conceito A no Provão
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Data da Notícia: 16/12/2003


Nota máxima só foi atribuída a 14,5% dos cursos na comparação com a média
geral; conceito E foi para 12,7%. Governo quer mudar sistema em 2004.

No último Exame Nacional de Cursos — o Provão — feito dentro do modelo
criado pelo ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza ainda na gestão
de Fernando Henrique Cardoso, nenhum dos 5.897 cursos superiores avaliados
conseguiu nota absoluta acima de 80 pontos (de zero a 100), o que
garantiria o conceito A. No entanto, o Instituto de Estudos e Pesquisas
Educacionais do Ministério da Educação (Inep/MEC) fez, como nos anos
anteriores, um cálculo estatístico e reposicionou os conceitos ao longo da
curva das notas dos cursos. Sem isso, além de não haver cursos nível A,
mais da metade 58,2% dos cursos ficaria com nota D (resultado entre 20 e 40
pontos). Essa distorção é um dos argumentos do atual Governo para mudar o
Provão em 2004. No resultado final, o Inep usa como parâmetro uma nota
relativa baseada na média geral de todos os cursos. Para fazer esse
cálculo, o instituto tira, primeiro, a média de cada um dos cursos
avaliados. 
Por esse sistema - que, na prática, abaixou o número mínimo de pontos para
cada conceito —, só duas das 26 áreas do conhecimento avaliadas (ver
quadro) tiveram cursos que atingiram média acima de 50: odontologia (56) e
fonoaudiologia (55,7). Do total de cursos avaliados, 14,5% atingiram o
conceito A e 12,7% ficaram  com E, o mais baixo.  Na cidade de São Paulo,
50 cursos atingiram nota A e 36, E. No ano que vem, o MEC pretende
substituir o Provão pelo Sistema Nacional de Avaliação e Progresso da
Educação Superior. Está prevista a criação do Índice do Desenvolvimento do
Ensino Superior (Ides), que será atribuído a cada curso e a cada
instituição. No lugar da prova única, feita por todos os formandos, o MEC
quer aplicar duas provas: uma no final do primeiro ano e outra no final do
último ano do curso. A avaliação geral será feita a cada três anos e,
anualmente, serão escolhidos algumas áreas de conhecimento. Em 2004, a
idéia é avaliar ciências da saúde, ciências biológicas e educação. 		

Fonte: Diário de São Paulo / Viviane Raymundi



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