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Reinício das aulas – Reinvenção da escola
18/03/2016
André Fassa (Presidente da ADETEC) e Leonides da Silva Justiniano – Professores Universitários
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Se existe uma instituição de reconhecida importância e indispensável presença nas sociedades, essa é a escola. Mais ou menos formalizada, fazendo mais ou menos uso de recursos tecnológicos, com mais ou menos infraestrutura, com mais ou menos pessoas envolvidas... Sempre, porém, incumbida do escopo da formação da pessoa – não, apenas, de sua instrução.

 

É pela escola – entendida como essa instituição ampla, onde se congregam os processos de ensino, de desenvolvimento de competências, transmissão de conteúdos, desabrochar de talentos, incentivo de criatividade... – que as novas gerações são apresentadas e preparadas para a adequada e produtiva vivência nas sociedades onde se encontram, sobretudo as sociedades mais complexas (seja em termos tecnológicos, institucionais, políticos, econômicos ou sociais).

Todavia, nem sempre esses propósitos (ou escopo) são plenamente – quando não minimamente – realizados. Por infelicidade, não são raros os casos de instituições de ensino – escolas dos vários níveis de ensino, incluindo, aí, o nível superior) – que deixam a desejar quanto à consecução de seus nobres objetivos. E isso, em parte, devido à própria organização escolar: toda instituição que se quer duradoura, corre o risco de excessiva rigidez, burocratização, entendidas como formas de autopreservação. Também não têm sido raros os questionamentos à qualidade dos serviços prestados pelas escolas, ou à sua capacidade mesma de realizar seus propósitos. Vários dados parecem corroborar esses questionamentos: não só índices de evasão, indicadores de baixo rendimento dos estudantes, relatos de violências várias, resultados de processos avaliativos externos às escolas... Em suma, um conjunto de elementos que permitem afirmar que uma quantidade significativa de escolas não consegue alcançar aquilo que se propõem.

Em um mundo que se complexifica cada vez mais, no qual a tecnologia pervade todo e qualquer espaço da vida (não só dos seres humanos), começa-se a discutir a alfabetização tecnológica ou digital: a capacidade de ler, entender e elaborar códigos – capacidade de codificação, capacidade de imersão na tecnologia da informação (TI). Essa capacidade não diz respeito, tão somente, a ter noção de que a TI está presente em muitos setores produtivos ou nos bens e serviços consumidos a todo instante; a capacidade diz respeito, sobretudo, a ter condições de inserção em um mercado de trabalho cujas profissões vão se envolvendo, crescentemente, com o campo da tecnologia digital.

Os estudantes, é claro, percebem e sentem a ruptura entre a escola e aquilo que nela é ensinado e da forma como é ensinado (suas características, conteúdos, métodos...) e aquilo que é exigido pelo mundo além dos muros escolares. Não são poucas as vezes em que os estudantes se indagam o porquê de terem de aprender alguns conteúdos que, julgam, de nada lhes servirá.

Sim, a escola deve ajudar na formação integral da pessoa, do cidadão. Por tal razão, o cuidado com o corpo, expresso na educação física, a compreensão e apreciação do belo e das diversas manifestações de algo tão profundamente humano como as artes, expressas em disciplinas ou temas transversais diversos, uma visão de conjunto da formação das sociedades e suas organizações espaço-temporais e político-ideológicas, expressa em disciplinas como história, geografia, filosofia e sociologia... também são elementos importantes de uma proposta educacional.

Não obstante, a instituição escolar deve, igualmente, proporcionar condições para a autonomia e sobrevivência de seus egressos e dos demais integrantes da sociedade onde esses egressos vão viver e atuar. E o mundo por vir – aliás, o mundo que já está aí – mostra-se intimamente relacionado com a TI. Esse é um fato em relação ao qual não se pode fugir ou fingir desconhecer. Menos, ainda, no âmbito educacional.

A alfabetização ou educação das camadas populares das sociedades ocidentais começou, efetivamente, a partir dos movimentos e revoluções sociais e políticas do século XVIII (em que pesem discussões que arrastem as datas do calendário um pouco para antes ou para depois); a extensão da educação para os mais pobres causava terror ou apreensão em governos e classes dominantes: a ignorância era vista como uma arma para dominar e a educação era vista como uma arma para se libertar (lembre-se Paulo Freire e seu Educação como prática da liberdade). Não seria de se admirar que a alfabetização tecnológica, a seu modo, produza, atualmente, novos medos – inclusive do deslocamento do foco de poder. Afinal, se saber é poder, e alguém em uma sala de aula pode confrontar o saber do mestre, mesmo que limitadamente, graças ao “São Google” ou à “Santa Wikipédia”, é óbvio que isso gera um desconforto para os que não têm preparo (se não em relação ao conteúdo que ministra, em relação à forma como o faz).

Existem, porém, iniciativas extremamente exitosas, que demonstram que os princípios da colaboração, motivação e criatividade podem alterar a ideia ou o modelo de escola vigente em grande parte do país (quando não, do mundo).

 

Fazendo um pequeno exercício, agora. Exerça sua criatividade e tente imaginar: “Como seria uma dessas escolas DE futuro?” (Sim, “de” futuro e, não, “do” futuro).

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