Reinício das aulas – Reinvenção da
escola
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Data da Notícia: 18/03/2016
Se existe uma instituição de reconhecida importância
e indispensável presença nas sociedades, essa é a
escola. Mais ou menos formalizada, fazendo mais ou menos uso de recursos
tecnológicos, com mais ou menos infraestrutura, com mais ou menos
pessoas envolvidas... Sempre, porém, incumbida do escopo da
formação da pessoa – não, apenas, de sua
instrução.
É pela escola – entendida como essa
instituição ampla, onde se congregam os processos de ensino,
de desenvolvimento de competências, transmissão de
conteúdos, desabrochar de talentos, incentivo de criatividade...
– que as novas gerações são apresentadas e
preparadas para a adequada e produtiva vivência nas sociedades onde
se encontram, sobretudo as sociedades mais complexas (seja em termos
tecnológicos, institucionais, políticos, econômicos ou
sociais).
Todavia, nem sempre esses propósitos (ou
escopo) são plenamente – quando não minimamente –
realizados. Por infelicidade, não são raros os casos de
instituições de ensino – escolas dos vários
níveis de ensino, incluindo, aí, o nível superior)
– que deixam a desejar quanto à consecução de
seus nobres objetivos. E isso, em parte, devido à própria
organização escolar: toda instituição que se
quer duradoura, corre o risco de excessiva rigidez,
burocratização, entendidas como formas de
autopreservação. Também não têm sido
raros os questionamentos à qualidade dos serviços prestados
pelas escolas, ou à sua capacidade mesma de realizar seus
propósitos. Vários dados parecem corroborar esses
questionamentos: não só índices de evasão,
indicadores de baixo rendimento dos estudantes, relatos de violências
várias, resultados de processos avaliativos externos às
escolas... Em suma, um conjunto de elementos que permitem afirmar que uma
quantidade significativa de escolas não consegue alcançar
aquilo que se propõem.
Em um mundo que se complexifica cada vez mais, no qual
a tecnologia pervade todo e qualquer espaço da vida (não
só dos seres humanos), começa-se a discutir a
alfabetização tecnológica ou digital: a capacidade de
ler, entender e elaborar códigos – capacidade de
codificação, capacidade de imersão na tecnologia da
informação (TI). Essa capacidade não diz respeito,
tão somente, a ter noção de que a TI está
presente em muitos setores produtivos ou nos bens e serviços
consumidos a todo instante; a capacidade diz respeito, sobretudo, a ter
condições de inserção em um mercado de trabalho
cujas profissões vão se envolvendo, crescentemente, com o
campo da tecnologia digital.
Os estudantes, é claro, percebem e sentem a
ruptura entre a escola e aquilo que nela é ensinado e da forma como
é ensinado (suas características, conteúdos,
métodos...) e aquilo que é exigido pelo mundo além dos
muros escolares. Não são poucas as vezes em que os estudantes
se indagam o porquê de terem de aprender alguns conteúdos que,
julgam, de nada lhes servirá.
Sim, a escola deve ajudar na formação
integral da pessoa, do cidadão. Por tal razão, o cuidado com
o corpo, expresso na educação física, a
compreensão e apreciação do belo e das diversas
manifestações de algo tão profundamente humano como as
artes, expressas em disciplinas ou temas transversais diversos, uma
visão de conjunto da formação das sociedades e suas
organizações espaço-temporais e
político-ideológicas, expressa em disciplinas como
história, geografia, filosofia e sociologia... também
são elementos importantes de uma proposta educacional.
Não obstante, a instituição
escolar deve, igualmente, proporcionar condições para a
autonomia e sobrevivência de seus egressos e dos demais integrantes
da sociedade onde esses egressos vão viver e atuar. E o mundo por
vir – aliás, o mundo que já está aí
– mostra-se intimamente relacionado com a TI. Esse é um fato
em relação ao qual não se pode fugir ou fingir
desconhecer. Menos, ainda, no âmbito educacional.
A alfabetização ou
educação das camadas populares das sociedades ocidentais
começou, efetivamente, a partir dos movimentos e
revoluções sociais e políticas do século XVIII
(em que pesem discussões que arrastem as datas do calendário
um pouco para antes ou para depois); a extensão da
educação para os mais pobres causava terror ou
apreensão em governos e classes dominantes: a ignorância era
vista como uma arma para dominar e a educação era vista como
uma arma para se libertar (lembre-se Paulo Freire e seu
Educação como prática da liberdade).
Não seria de se admirar que a alfabetização
tecnológica, a seu modo, produza, atualmente, novos medos –
inclusive do deslocamento do foco de poder. Afinal, se saber é
poder, e alguém em uma sala de aula pode confrontar o saber do
mestre, mesmo que limitadamente, graças ao “São
Google” ou à “Santa Wikipédia”, é
óbvio que isso gera um desconforto para os que não têm
preparo (se não em relação ao conteúdo que
ministra, em relação à forma como o faz).
Existem, porém, iniciativas extremamente
exitosas, que demonstram que os princípios da
colaboração, motivação e criatividade podem
alterar a ideia ou o modelo de escola vigente em grande parte do
país (quando não, do mundo).
Fazendo um pequeno exercício, agora.
Exerça sua criatividade e tente imaginar: “Como seria uma
dessas escolas DE futuro?” (Sim, “de” futuro e,
não, “do” futuro).
Fonte: André Fassa (Presidente da ADETEC) e Leonides da Silva Justiniano – Professores Universitários
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