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A polícia de Minas Gerais revelou ontem ter prendido em flagrante, na cidade de Belo Horizonte, o garçom Eduardo Gabriel de Barros Dornelas, 22 anos, sob acusação de ser um cracker - hacker perito em invadir computadores e capturar dados bancários e de cartões de crédito via Internet. Eduardo Gabriel nega as acusações.
De acordo com o titular da Delegacia Especializada na Repressão de Crimes e Fraudes Informáticos (Dercife), Walter Freitas, o rapaz estava de posse de uma lista com pelo 200 nomes de correntistas e donos de cartões de crédito. O delegado estima que, só em cartões de crédito da bandeira Visa, as supostas operações do rapaz tenham causado prejuízos da ordem de R$ 18 mil. "Ainda não sabemos quantas pessoas foram lesadas, mas não devem ser poucas".
Natural de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, Eduardo Gabriel já havia cumprido quatro meses e meio de prisão depois de ter sido preso naquela cidade, ano passado, acusado de integrar uma quadrilha especializada em fraudes via Internet. Na última sexta-feira, foi preso novamente, desta vez em uma lan house (casa de jogos eletrônicos) do centro de Belo Horizonte, onde estaria, segundo a polícia, enviando e-mails com mensagens contendo um programa, escondido, que captura dados bancários de quem as recebe e abre.
O programa é o Trojan W32, um código malicioso que infecta arquivos em versões 32 bits do Windows, cuja função é a de coletar informações pessoais sem que a pessoa que o recebeu saiba. O programa se instala no computador, e, a partir daí, toda vez que ela faz uma transação bancária ou com cartão de crédito, o trojan captura os dados e os envia para o remetente. Nesse caso, conforme a polícia, para Eduardo Gabriel.
Chorando, o garçom disse apenas ter recebido as mensagens, e negou a prática de operações ilícitas. "Se eu tivesse dinheiro, não estaria devendo. Se fosse expert em computadores, não estaria preso". Ele foi autuado em flagrante por estelionato e apropriação indébita, no Departamento de Investigações, na Lagoinha.
Eduardo Gabriel disse que como está desempregado, ficava na lan house jogando e conversando nas salas de bate-papo. "Foi numa dessas salas que eles enviaram esses dados para mim. Recebi apenas por curiosidade", alegou.
A advogada Lenyr Dornelas, mãe de Eduardo Gabriel, não se conformou com a prisão do filho. Ela disse que ele seria vítima de uma quadrilha organizada que atua em Juiz de Fora, e cuja ação está na 32ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro. "Meu filho foi ameaçado de morte por essa quadrilha. Eu o mandei para Belo Horizonte porque era perseguido".
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