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Falta de peritos no país prejudica a solução de crimes, diz especialista
24/04/2013
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Os peritos, profissionais que trabalham para resolver os crimes, estão em falta em todo o país. Essas equipes precisam resolver casos demais com gente de menos.

Sônia tem uma jornada de 12 horas seguidas, como todos os peritos de São Paulo. No laboratório, eles chegam a atender 30 casos por dia. Quem vai para as ruas faz até 15 ocorrências em um único plantão.

A diretora do Instituto de Criminalística reconhece: “Está um número um pouco apertado. Na verdade, a perícia está respondendo a contento e quem tem sido sacrificado um pouco é o perito”, diz Norma Bornaccorso.

“A gente tem alguns casos atrasados por conta da complexidade e da quantidade dos exames”, ressalta a diretora do núcleo de balística Sônia Viebig.

O quadro de peritos em São Paulo é o mesmo desde 1987. São 1.177 postos, muito menos do que o Sindicato dos Peritos do estado considera necessário. “Eu suponho que uns quatro mil peritos dariam para amenizar o quadro agora”, diz a presidente da Associação de Peritos Criminais de São Paulo, Maria do Rosário Seraphin.

Um perito recém-aposentado explica que o prazo legal para emitir um laudo é de 10 dias, mas na prática só funciona para casos simples. “Casos que a gente atende sempre que demandam uma série de exames complementares não sai em 10 dias o laudo. Não sai nem em 30", diz José Antonio de Moraes.

Um cruzamento de dados mostra que, em São Paulo, o número de assassinatos é quase quatro vezes maior do que o de peritos. Em outros estados, a situação é ainda mais grave. EmMinas Gerais, é sete vezes maior. Em Sergipe, 75. O estado tem apenas nove peritos.

“Muitos crimes ficam sem solução ou nós não conseguimos responsabilizar o autor, porque nos não temos a prova”, explicou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Sergipe, Antônio Morais.

O governo diz que vai abrir um concurso para contratar profissionais. “Deve sair ainda este primeiro semestre de 2013, para contratar no segundo semestre”, afirma o secretário adjunto de Segurança Pública, João Batista.

No Rio Grande do Sul, falta principalmente gente especializada nas áreas de engenharia e medicina. Capacitar um perito não é simples.

No núcleo de balística em São Paulo, o número de casos para perícia tem caído nos últimos anos, junto com os índices de homicídio. Mas a quantidade de armas recebidas para análise aumentou - são 900 por mês.

“Mais ou menos eu demoro cinco anos pra formar uma pessoa que esteja bem nesse tipo de análise”, afirma Sônia Viebig.

Nos últimos dez anos o Instituto de Criminalística de São Paulo se modernizou bastante. Uma máquina acabou de chegar. Quando estiver instalada, vai analisar de uma só vez 96 amostras de DNA. Vai fazer em meia hora o trabalho que os peritos levam três horas.

Mas os equipamentos não são suficientes. E a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo deve encaminhar ao governo do estado uma proposta para a contratação emergencial de novos funcionários.

Além de Sergipe e São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul também disseram que devem contratar peritos em breve.

 

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