Os peritos, profissionais que trabalham para resolver os crimes,
estão em falta em todo o país. Essas equipes precisam
resolver casos demais com gente de menos.
Sônia tem uma jornada de 12 horas seguidas, como todos os peritos
de São Paulo. No
laboratório, eles chegam a atender 30 casos por dia. Quem vai para
as ruas faz até 15 ocorrências em um único
plantão.
A diretora do Instituto de Criminalística reconhece:
“Está um número um pouco apertado. Na verdade, a
perícia está respondendo a contento e quem tem sido
sacrificado um pouco é o perito”, diz Norma Bornaccorso.
“A gente tem alguns casos atrasados por conta da complexidade e da
quantidade dos exames”, ressalta a diretora do núcleo de
balística Sônia Viebig.
O quadro de peritos em São Paulo é o mesmo desde 1987.
São 1.177 postos, muito menos do que o Sindicato dos Peritos do
estado considera necessário. “Eu suponho que uns quatro mil
peritos dariam para amenizar o quadro agora”, diz a presidente da
Associação de Peritos Criminais de São Paulo, Maria do
Rosário Seraphin.
Um perito recém-aposentado explica que o prazo legal para emitir
um laudo é de 10 dias, mas na prática só funciona para
casos simples. “Casos que a gente atende sempre que demandam uma
série de exames complementares não sai em 10 dias o laudo.
Não sai nem em 30", diz José Antonio de Moraes.
Um cruzamento de dados mostra que, em São Paulo, o número
de assassinatos é quase quatro vezes maior do que o de peritos. Em
outros estados, a situação é ainda mais grave. EmMinas Gerais,
é sete vezes maior. Em Sergipe, 75. O estado tem apenas nove
peritos.
“Muitos crimes ficam sem solução ou nós
não conseguimos responsabilizar o autor, porque nos não temos
a prova”, explicou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis
do Sergipe, Antônio
Morais.
O governo diz que vai abrir um concurso para contratar profissionais.
“Deve sair ainda este primeiro semestre de 2013, para contratar no
segundo semestre”, afirma o secretário adjunto de
Segurança Pública, João Batista.
No Rio Grande do
Sul, falta principalmente gente especializada nas áreas de
engenharia e medicina. Capacitar um perito não é
simples.
No núcleo de balística em São Paulo, o
número de casos para perícia tem caído nos
últimos anos, junto com os índices de homicídio. Mas a
quantidade de armas recebidas para análise aumentou - são 900
por mês.
“Mais ou menos eu demoro cinco anos pra formar uma pessoa que
esteja bem nesse tipo de análise”, afirma Sônia
Viebig.
Nos últimos dez anos o Instituto de Criminalística de
São Paulo se modernizou bastante. Uma máquina acabou de
chegar. Quando estiver instalada, vai analisar de uma só vez 96
amostras de DNA. Vai fazer em meia hora o trabalho que os peritos levam
três horas.
Mas os equipamentos não são suficientes. E a Secretaria de
Segurança Pública de São Paulo deve encaminhar ao
governo do estado uma proposta para a contratação emergencial
de novos funcionários.
Além de Sergipe e São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do
Sul também disseram que devem contratar peritos em breve.
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