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Uma das formas de resgatar a memória de fatos históricos a partir de relatos individuais é por meio do método biográfico denominado História Oral ou, como antigamente era chamado História de Vida, técnica que capta o que sucede na encruzilhada da vida individual com o social (Queiroz, 1988, p. 36).
A História Oral é uma ciência e arte do indivíduo (...), pois somos todos narradores costurando os fatos através dos tempos... (Portelli, 1997, p. 15), na medida em que se estabelece uma relação com o significado para as pessoas e os fatos históricos. Com isso, amplia-se e renova-se o saber sobre diferentes temas, assim como a partir de centros comunitários e associações é possível reconstruir a história local, bem como a consciência do grupo (Freitas, 2002).
Esse método biográfico busca captar imagens do passado o mais próximo da realidade, de forma dinâmica e envolvente, entre a parceria do entrevistador e entrevistado. Geralmente, o fato histórico que se espera resgatar requer vários testemunhos orais, por meio de uma rede de informantes que se estabelece com o propósito da pesquisa (Giglio e Von Simson, 2001).
No método de História Oral, todos os dados em relação ao evento são de fundamental importância, para que o pesquisador construa um quadro o mais enriquecedor possível na compreensão do fato histórico que se queira analisar. Assim, compromete-se a dar a voz aos diversos narradores das comunidades que vivenciaram acontecimentos de um determinado período histórico, possibilitando o registro das reminiscências das memórias individuais, a reinterpretação do passado, enfim, uma história alternativa à história oficial (Freitas, 2002, p. 82).
O uso da História Oral em Gerontologia possibilita um processo de resgate das memórias de pessoas idosas, tendo implicações sociais e também terapêuticas, uma vez que as entrevistas possibilitam aos idosos uma autoavaliação, um questionamento e um repensar da própria vida (Freitas, 2002). O resgate de memórias pode também proporcionar reflexões acerca de novas metas ou enfrentamentos, na medida em que estabelece uma ponte entre o que foi rememorado e o que está por vir, podendo muitas vezes, servir como revisão de vida e contribuir com impulsos para o agir. ... Lembrar não é reviver, mas refazer, reconstruir, repensar, com imagens de hoje, as experiências do passado (Halbwacks 1990, p. 55).
Reprodução parcial de texto escrito por Denise Castanho Antunes.
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