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Ser educador nos dias de hoje não é fácil.
O mundo está cheio de opções, ofertas e verdadeiros apelos. Pais e professores sabem o que é tentar conter essa geração imediatista, que não consegue sustentar a atenção e muito menos se concentrar numa aula ou em alguma atividade que não lhe seja interessante. A poluição de informações e estímulos cresce a cada dia; valores básicos estão sendo substituídos por computadores, celulares, videogames e tudo o que seja fast food. Como educadora, percebo que estamos vivendo uma crise moral: o outro não existe, a não ser como instrumento para benefício próprio.
Convivemos diariamente com uma instabilidade gerada por tantos excessos.
Todos nós estamos acompanhando pela mídia os casos absurdos de indisciplina e violência em escolas, sejam elas privadas ou públicas. O que mais me preocupa é o número de professores adoecendo e trocando o ofício por qualquer outro que não seja a educação. E os pais abrindo mão de seus papéis, deixando que os filhos assumam o comando de suas próprias vidas.
Todos nós sabemos que crianças e jovens contrariados são um sinônimo de conflito, e os pais estão fugindo de conflitos com seus filhos. Como estarão as instituições escolares daqui a dez anos? E a instituição família? Não seria o momento de repensarmos nosso papel de adulto da relação e, principalmente, de figuras de autoridade que deveríamos ser? Valores não devem ser negociáveis.
Coerência é a regra básica de uma boa educação. O que percebo é que muitos pais temem perder o amor dos filhos se forem firmes nas regras e cobranças. Com isso, as estruturas familiares estão se enfraquecendo cada vez mais. Impor limites de modo claro e afetivo pode gerar enormes benefícios aos jovens e à sociedade. Talvez seja hora de admitirmos a hipótese de que estímulos e permissividade demais podem ser catastróficos. Quem sabe possamos orientar crianças e jovens no desenvolvimento da tolerância a frustrações, reduzindo as chances de virem a manifestar a insaciabilidade de sensações na vida adulta?
É preciso que pais e professores resgatem seus papéis de adultos e de autoridade. Os jovens estão gritando por isso. Eles não estão precisando de adultos-amiguinhos e sim de referências e modelos de coerência, de pessoas éticas que consigam orientá-los dentro de um projeto de vida que fuja do imediatismo em que eles se encontram. É preciso ensiná-los que o futuro depende deste presente tão banalizado por eles. Acreditem, se resgatarmos nossos papéis com coerência e ternura, vamos parar de ouvir e reclamar tanto de nossos jovens e, com certeza, estaremos garantindo a continuidade da nossa história e do nosso futuro.
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