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Educador, figura de autoridade
"Educador, figura de autoridade"

Data da Notícia: 14/06/2005


Ser educador nos dias de hoje não é fácil.

 O mundo está cheio de opções, ofertas e verdadeiros apelos. Pais e
professores sabem o que é tentar conter essa geração imediatista, que não
consegue sustentar a atenção e muito menos se concentrar numa aula ou em
alguma atividade que não lhe seja interessante. A poluição de informações e
estímulos cresce a cada dia; valores básicos estão sendo substituídos por
computadores, celulares, videogames e tudo o que seja fast food. Como
educadora, percebo que estamos vivendo uma crise moral: o outro não existe,
a não ser como instrumento para benefício próprio.

 Convivemos diariamente com uma instabilidade gerada por tantos excessos.

 Todos nós estamos acompanhando pela mídia os casos absurdos de
indisciplina e violência em escolas, sejam elas privadas ou públicas. O que
mais me preocupa é o número de professores adoecendo e trocando o ofício
por qualquer outro que não seja a educação. E os pais abrindo mão de seus
papéis, deixando que os filhos assumam o comando de suas próprias vidas.

 Todos nós sabemos que crianças e jovens contrariados são um sinônimo de
conflito, e os pais estão fugindo de conflitos com seus filhos. Como
estarão as instituições escolares daqui a dez anos? E a instituição
família? Não seria o momento de repensarmos nosso papel de adulto da
relação e, principalmente, de figuras de autoridade que deveríamos ser?
Valores não devem ser negociáveis. 
 
 Coerência é a regra básica de uma boa educação. O que percebo é que muitos
pais temem perder o amor dos filhos se forem firmes nas regras e cobranças.
Com isso, as estruturas familiares estão se enfraquecendo cada vez mais.
Impor limites de modo claro e afetivo pode gerar enormes benefícios aos
jovens e à sociedade. Talvez seja hora de admitirmos a hipótese de que
estímulos e  permissividade demais podem ser catastróficos. Quem sabe
possamos orientar crianças e jovens no desenvolvimento da tolerância a
frustrações, reduzindo as chances de virem a manifestar a insaciabilidade
de sensações na vida adulta?

 É preciso que pais e professores resgatem seus papéis de adultos e de
autoridade. Os jovens estão gritando por isso. Eles não estão precisando de
adultos-amiguinhos e sim de referências e modelos de coerência, de pessoas
éticas que consigam orientá-los dentro de um projeto de vida que fuja do
imediatismo em que eles se encontram. É preciso ensiná-los que o futuro
depende deste presente tão banalizado por eles. Acreditem, se resgatarmos
nossos papéis com coerência e ternura, vamos parar de ouvir e reclamar
tanto de nossos jovens e, com certeza, estaremos garantindo a continuidade
da nossa história e do nosso futuro.		

Fonte: Estado de Minas



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