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Séculos vividos como observadoras dos processos históricos, sem voz nem voto, constituíram-se num rico e difícil aprendizado para todas as mulheres. E a lição aprendida merece ser compartilhada: a liberdade individual se conquista. Ninguém a concede para nós.
A conquista da liberdade se dá nos mínimos detalhes vividos diariamente, num exercício interior que exige anos de fortalecimento espiritual, na busca do equilíbrio entre o autocontrole ou recuo para evitar desgastes desnecessários e inúteis; mágoas sem retorno e a teimosia ou persistência – conforme o ângulo – na luta pelos ideais, pelos princípios que, afinal, constituem a essência de cada um. Faz-se a diferença quando adquirimos a consciência de que não temos que ser clones ou cópias dos famosos do momento, porque o grande milagre da vida é sermos único.
A vida ganha um significado muito mais profundo quando sentimos a independência de sermos quem, de fato, somos. E sendo quem somos - indivíduos originais e exclusivos, imersos no amálgama cultural e hereditário - amamos e somos amados e, embora imperfeitos, alcançamos o reconhecimento e o respeito dos demais pela nossa maneira especial de viver e de buscar nossa realização. Isso é felicidade.
Inúmeros são os exemplos positivos de mulheres em todos os segmentos: nos índices de acesso ao ensino superior, na ocupação dos mais altos postos de empresas bem sucedidas, em cargos políticos, no sistema judiciário; na docência, em todos os seus níveis; na área médica, na filantrópica, dentre tantas outras. Mesmo algumas daquelas que estão pagando seus erros em regime fechado, entre as paredes de uma penitenciária, privadas da liberdade física, costumam ser citadas como exemplos de lealdade aos seus filhos e companheiros e como seres que se destacam pela resiliência e vontade de viver. E as mulheres anônimas que não são notícia, mas que são tudo quanto algumas famílias têm?
Haja a inovação que houver nas regras de convivência, alterem-se os valores, a composição dos núcleos familiares, nada nem ninguém vai substituir com vantagem o papel da mulher na sociedade – que não é único.
Esqueçamo-nos dos debates sobre competição entre homens e mulheres – ou das mulheres entre si. Não é para essa causa que estamos vivos. Neste mundo capitalista, extremamente competitivo, materialista e consumista em que estamos mergulhados, a mulher deveria reunir todas as energias positivas para manter-se à tona como um farol, preservando seu papel maravilhoso de parceira e companheira, mãe e amante; guardiã do otimismo, da firmeza com doçura, da esperança e dos sonhos criativos, do carinho, da delicadeza e da ternura; da sua maneira de raciocinar, de ser intuitiva, como um contraponto de luz e música, suavidade e conforto, como blindagem contra tudo o que é feio, amargo, decepcionante e grosseiro. Um ser coerente e internamente livre, que acredita em si mesmo, que ri sozinho das armadilhas sociais, sobrevivente na correnteza.
Ciente das demandas de sua época, a mulher perspicaz e prudente reconhece que a luta armada – que, com raras exceções, é a solução melhor – sempre incorre em perdas insubstituíveis, com resultados pouco duradouros. Com a inteligência emocional desenvolvida para a própria sobrevivência durante os séculos de silêncio e submissão que lhe foram impostos, sua melhor contribuição nas instâncias onde tem influência é usar sua percepção, sensibilidade, e provocar mudanças de paradigmas, pela cultura, pela educação e pelo exemplo, por sua maneira peculiar – feminina- de ser. Essas mudanças exigem persistência, enfrentam muitas críticas, demoram mais a ser observadas, porém costumam ser consistentes e permanentes.
Quando um número significativo de mulheres libertar-se das pressões externas criadas artificialmente e conhecer a sensação de ser livre de verdade, as chances de sobrevida da civilização humana no planeta talvez aumentem, em melhores condições do que as que percebemos hoje.
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