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Até todas sermos livres...
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Data da Notícia: 08/03/2010


Séculos vividos como observadoras dos processos históricos, sem voz nem
voto, constituíram-se num rico e difícil aprendizado para todas as
mulheres. E a lição aprendida merece ser compartilhada: a liberdade
individual se conquista. Ninguém a concede para nós. 

A conquista da liberdade se dá nos mínimos detalhes vividos diariamente,
num exercício interior que exige anos de fortalecimento espiritual, na
busca do equilíbrio entre o autocontrole ou recuo para evitar desgastes
desnecessários e inúteis; mágoas sem retorno e a teimosia ou persistência –
conforme o ângulo – na luta pelos ideais, pelos princípios que, afinal,
constituem a essência de cada um. Faz-se a diferença quando adquirimos a
consciência de que não temos que ser clones ou cópias dos famosos do
momento, porque o grande milagre da vida é sermos único.

A vida ganha um significado muito mais profundo quando sentimos a
independência de sermos quem, de fato, somos. E sendo quem somos -
indivíduos originais e exclusivos, imersos no amálgama cultural e
hereditário - amamos e somos amados e, embora imperfeitos, alcançamos o
reconhecimento e o respeito dos demais pela nossa maneira especial de viver
e de buscar nossa realização. Isso é felicidade.

Inúmeros são os exemplos positivos de mulheres em todos os segmentos: nos
índices de acesso ao ensino superior, na ocupação dos mais altos postos de
empresas bem sucedidas, em cargos políticos, no sistema judiciário; na
docência, em todos os seus níveis; na área médica, na filantrópica, dentre
tantas outras. Mesmo algumas daquelas que estão pagando seus erros em
regime fechado, entre as paredes de uma penitenciária, privadas da
liberdade física, costumam ser citadas como exemplos de lealdade aos seus
filhos e companheiros e como seres que se destacam pela resiliência e
vontade de viver. E as mulheres anônimas que não são notícia, mas que são
tudo quanto algumas famílias têm? 

Haja a inovação que houver nas regras de convivência, alterem-se os
valores, a composição dos núcleos familiares, nada nem ninguém vai
substituir com vantagem o papel da mulher na sociedade – que não é único. 
Esqueçamo-nos dos debates sobre competição entre homens e mulheres – ou das
mulheres entre si. Não é para essa causa que estamos vivos. Neste mundo
capitalista, extremamente competitivo, materialista e consumista em que
estamos mergulhados, a mulher deveria reunir todas as energias positivas
para manter-se à tona como um farol, preservando seu papel maravilhoso de
parceira e companheira, mãe e amante; guardiã do otimismo, da firmeza com
doçura, da esperança e dos sonhos criativos, do carinho, da delicadeza e da
ternura; da sua maneira de raciocinar, de ser intuitiva, como um
contraponto de luz e música, suavidade e conforto, como blindagem contra
tudo o que é feio, amargo, decepcionante  e grosseiro. Um ser coerente e
internamente livre, que acredita em si mesmo, que ri sozinho das armadilhas
sociais, sobrevivente na correnteza.

Ciente das demandas de sua época, a mulher perspicaz e prudente reconhece
que a luta armada – que, com raras exceções, é a solução melhor – sempre
incorre em perdas insubstituíveis, com resultados pouco duradouros. Com a
inteligência emocional desenvolvida para a própria sobrevivência durante os
séculos de silêncio e submissão que lhe foram impostos, sua melhor
contribuição nas instâncias onde tem influência é usar sua percepção,
sensibilidade, e provocar mudanças de paradigmas, pela cultura, pela
educação e pelo exemplo, por sua maneira peculiar – feminina- de ser. Essas
mudanças exigem persistência, enfrentam muitas críticas, demoram mais a ser
observadas, porém costumam ser consistentes e permanentes.
Quando um número significativo de mulheres libertar-se das pressões
externas criadas artificialmente e conhecer a sensação de ser livre de
verdade, as chances de sobrevida da civilização humana no planeta talvez
aumentem,  em melhores condições do que as que percebemos hoje. 
		

Fonte: Profa. Maria Emilce Ferreira Villela Pastorello



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