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A profissão mais comum entre aqueles que ocupam o topo da pirâmide das corporações não é Administração de Empresas, como concluiria o senso comum. Para entender e lidar com os desafios lógicos e abstratos do mercado, nada melhor que um engenheiro. Isso mesmo. Os engenheiros ocupam hoje 49% das cadeiras presidenciais de empresas do País. A constatação é da Heidrick & Struggles, consultoria de contratação de altos executivos que avaliou o perfil de 105 líderes. A formação em engenharia é apontada pelos headhunters como o fator comum dentre os profissionais mais disputados no mercado.
Os administradores de empresas ocupam a segunda colocação, com 28%, seguidos pelos economistas, 11% e advogados, 4%. E por que o mundo corporativo procura esse perfil?
Segundo especialistas, a habilidade em cálculos e a sólida formação em exatas fazem dos engenheiros competentes gestores de recursos. Não é à toa que a área financeira vem procurando esses profissionais. “Pelo menos 20% dos cerca de 600 formandos da nossa instituição, migram para o setor financeiro”, afirma o reitor e professor do Instituto Mauá, Otávio de Mattos Silvares. O headhunter da Ray & Berndtson, Luiz Wever, confirma. “Percebemos que os engenheiros, cada vez mais, têm seguido outros caminhos que não o da engenharia”.
Se por um lado a migração cria novas oportunidades de trabalho, também provoca carência desses profissionais em setores tradicionalmente ocupados por eles. Em uma entrevista à imprensa, o presidente da Embraer, Maurício Botelho, declarou que a companhia tem perdido seus principais engenheiros para o mercado financeiro, que oferece uma remuneração mais agressiva em início de carreira.
Para dar conta da falta de mão-de-obra e cobrir essa deficiência, a Embraer começou a investir, em 2001, em projetos de capacitação, como o Programa de Especialização em Engenharia, que só no primeiro ano, consumiu investimentos de US$ 5,8 milhões. O objetivo é capacitar jovens recém-formados e com até dois anos de experiência no ramo aeronáutico para assim, não se tornar refém dos mais disputados do mercado e formar sua própria mão-de-obra.
Uma queda-de-braço entre os setores automobilístico e financeiro? Para a gerente de RH da Ford Brasil, Ana Rosa Calciolari, não necessariamente. “É normal que algumas pessoas queiram migrar para outras profissões, mas um engenheiro apaixonado pela prancheta e pela criação sempre vai preferir seguir sua área de formação”, defende.
Para ela, existe espaço e bons salários tanto para os engenheiros que preferem atuar corporativamente, como para aqueles interessados em continuar na área. “Dentro da Ford temos casos de engenheiros que entraram na área técnica e que hoje estão no setor financeiro, marketing, recursos humanos... Nosso diretor de relações com o governo é um engenheiro”, conclui. No ano passado, quando os carros da Ford passaram a ser fabricados no Brasil, a montadora contratou 200 novos engenheiros e a previsão é de que outros 50 sejam incorporados à equipe até o final do ano.
Segundo Silvares, do Instituto Mauá, o escopo da engenharia é extremamente amplo e está presente em todas as áreas da atividade humana. Tradicionalmente, as principais divisões da engenharia são quatro: civil, elétrica, mecânica e química. “Daí surgem os desdobramentos de subdivisões ou associações de áreas para atender novas necessidades de mercado”. E o leque de atuação desse público abrange até áreas humanas e de comunicação, como RH e Marketing.
De olho nas oportunidades que a carreira permite, é que a estagiária de 22 anos, Cecília Luz Correa, cursando o 5º ano de engenharia no Instituto Mauá, resolveu experimentar o desafio de trabalhar na empresa Itaú Seguros S/A. “Todo mundo me pergunta: o que tem a ver?”, diz ela. Mas Cecília não acredita que tenha se distanciado da profissão. A estudante explica que a maioria dos seus colegas de trabalho são engenheiros. “Atuo na área de seguros para grandes armazéns, parte de logística e transporte, são seguros altos e que requerem uma visão ampla do que pode acontecer num lugar desses, por isso cabe mais um perfil de engenheiro do que um administrador”.
Sem saber ainda que atividade vai seguir no futuro, a jovem diz que ainda pretende ter a experiência em chão-de-fábrica.
Para Luiz Wever, não existe um segmento único ou uma grande tendência de mercado onde esses profissionais possam ter maiores ou menores oportunidades. “Eles continuarão sendo bons em suas áreas de formação, e em áreas diversas como o mercado já tem mostrado”.
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