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Depois de alguns anos sem grandes perspectivas profissionais, designers, engenheiros e formandos nessas áreas podem comemorar: são a bola da vez na indústria automobilística. O setor está carente desses profissionais e as contratações estão em alta, em especial para as áreas de engenharia mecânica e elétrica. As perspectivas são promissoras. Como o Brasil está se tornando um centro de desenvolvimento de produtos, montadoras e empresas de autopeças necessitarão de mais dessa mão-de-obra.
O Brasil forma 30 mil engenheiros por ano e a indústria automobilística emprega 6 mil, além de outros 3 mil profissionais que trabalham na cadeia de fornecedores. Roberto Bortolussi, coordenador do curso de mecânica do Centro Universitário FEI, diz que as montadoras batem à porta da instituição à procura de gente para preencher as vagas. "Somente a Nissan veio atrás de 40 engenheiros recentemente", conta. "Os formandos deste ano e dos próximos dois anos terão quase 100% de chances de ir para uma montadora", arrisca. Segundo ele, essa grande procura por profissionais é motivada pelo ciclo de crescimento do mercado de automóveis nos últimos anos, com quebras sucessivas de recordes de produção e vendas.
Reitor do centro universitário do Instituto Mauá de Tecnologia, o professor Otávio de Mattos Silvares conta que a grande maioria dos 400 formandos de 2007 saiu empregada. Este ano, parece que a trajetória será semelhante. "Em janeiro recebemos uma solicitação da Inglaterra: uma empresa estava precisando de 30 engenheiros para a área de automóveis."
Apesar dessa grande procura, faltam pessoas com a qualificação e a especialização que as montadoras precisam. "Temos pouca disponibilidade de engenheiros experientes no mercado. O jeito é colocar anúncios para atrair profissionais", afirma Pedro Manuchakian, vice-presidente de engenharia da divisão LAAM da GM. Como a LAAM é um dos cinco centros de desenvolvimento de produtos da montadora americana no mundo - a engenharia de São Caetano do Sul (SP) é responsável pelas regiões da América Latina, África e Oriente Médio -, Manuchakian precisa de muitos engenheiros para dar conta das tarefas encomendadas pela matriz.
E como precisa. Segundo ele, a GM deve contratar mais 650 engenheiros até o fim do ano, que se juntarão aos outros 650 da empresa. "Fazemos projetos para o mundo todo", explica. Para não depender exclusivamente de engenheiros que estão em marcas concorrentes - "e abrir uma guerra de salários", diz o executivo -, a GM ampliou o seu programa de estágio. "Estamos aumentando as vagas de 12 para 60", diz Manuchakian. Outra empresa que está com vagas para estágio é a Fiat, cuja fábrica de Betim (MG) receberá investimentos da matriz para se tornar uma das maiores do grupo italiano no mundo. Até 2010, Brasil e Argentina receberão R$ 5 bilhões em recursos da matriz.
Em fevereiro, a marca abriu inscrições para estágios de engenheiros recém-formados e estudantes do 9º ou 10º período. O salário é de R$ 2.800, mais benefícios, entre os quais desconto na compra de carro da marca e ter participação nos lucros.
O engenheiro Rafael Serralvo Netto aproveita a boa fase. Já está em sua terceira empresa da área de automóveis desde 2003, quando se formou. "Fiquei apenas dois meses desempregado. A faculdade me indicou para a VW Caminhões, em Resende (RJ)", conta. Menos de um ano depois ele foi parar na Ford, onde teve a oportunidade de trabalhar em várias unidades da marca. "Em Tatuí (SP), no México e em Camaçari (BA)", lembra. Em 2007, Netto foi convidado pela PSA (associação da Peugeot e da Citroën) a fazer parte do centro de desenvolvimento que o grupo francês está criando em São Paulo. "Alguns companheiros na Ford também vieram", diz. Afinal, o grupo PSA pretende contratar mil engenheiros para o centro.
Um dos motivos da dificuldade em se encontrar engenheiros experientes é a citada a falta de especialização do profissional. "O engenheiro brasileiro de automóveis sempre adquiriu conhecimento na prática, após estar anos na mesma empresa. É o oposto de muitos outros países", explica José Luiz Albertin, diretor e coordenador do Programa de Mestrado Profissional em Engenharia Automotiva da SAE Brasil, curso criado recentemente. Segundo ele, a entidade de engenharia decidiu abrir o mestrado justamente para diminuir o tempo de maturação dos profissionais. "Ele pode estar especializado em quatro anos", diz.
Empresas e universidades também estão investindo em cursos para reduzir um pouco essa deficiência do mercado. A Ford, por exemplo, contratou a FEI para ministrar a pós-graduação a seus profissionais. A GM passou a oferecer o curso de língua inglesa aos contratados, pois percebeu a falta de domínio do idioma estrangeiro de muitos recém-formados. Aliás, essa foi uma das dificuldades encontradas pela montadora no recrutamento nos últimos anos: falta de inglês.
Gérson Barone, gerente de design da Volkswagen, diz que o momento atual da indústria é bom também para a sua área. "Não há mais separação entre engenheiros e designers. Os dois profissionais têm de trabalhar em conjunto, o tempo todo."
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