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Monografia apresentada, baile acabado, orgulho dos pais. Formar-se é uma conquista para familiares e diplomados. Mas os dias depois da festa podem trazer uma dor de cabeça que vai além da causada pela ressaca. Afinal, o que fazer com o canudo nas mãos é uma preocupação da qual poucos escapam.
Se sair da faculdade não é tarefa fácil, fazer parte do mercado de trabalho também é um dilema. O melhor é descobrir em que se deseja trabalhar, focar na opção e, claro, trazer trabalho extra no currículo de acadêmico.
- Antes da formatura, acordava, ia para a faculdade e fazia estágio à tarde. Agora, sem saber o que quero fazer, fica difícil até de procurar uma ocupação. Apesar de querer estudar para concurso, não pretendo exercer um cargo sem experiência anterior. O problema é que está cheio de advogados por aí. E para dedicar um período do dia aos estudos, preciso de um salário que pague parte das despesas - preocupa-se a bacharel em Direito Caroline Coutinho Locks, 22 anos, graduada há duas semanas pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali).
Dos 56 colegas de formatura de Caroline, ela calcula que menos da metade esteja trabalhando. Desses, nem todos atuam na área, fazendo jus ao diploma. De acordo com ela, muitos dos que estão colocados no mercado como advogados trabalham com parentes ou conseguiram ficar nos escritórios em que fizeram estágio durante a graduação.
Não é à toa que hoje as universidades mostram preocupação com os diplomados e o tempo que o papel das instituições era restrito a oferecer estágios durante os cursos já é coisa do passado. Os serviços de apoio aos recém-formados estão ganhando espaço nas instituições de ensino superior catarinenses, embora os alunos às vezes nem saibam que podem usufruir desses serviços.
- É comum que os alunos saiam dos cursos preparados para atuarem no mercado, mas não para chegarem até ele. Existem jovens que se formam sem saber o que querem nem aonde ir porque não há esclarecimento satisfatório nas faculdades - comenta a psicóloga Caroline Siega.
Um estudo realizado com alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) de vários cursos demonstrou que nem mesmo a euforia do ingresso na universidade é duradoura e uma certa decepção com o curso é identificada entre os calouros.
No segundo ano, conforme a pesquisa, alguns alunos passam a reclamar de tudo e esperam só o que lhes é dado pela instituição. Outros buscam monitorias, bolsas de pesquisa e trabalho voluntário, preparando-se para o mercado e conhecendo a realidade da profissão. A turma então se divide entre os que continuam a reclamar e a esperar uma oportunidade, e os que vão à luta.
- Se o egresso tem uma expectativa não condizente com o mercado de trabalho, acaba se frustrando. Daí a importância do contato com os afazeres de um profissional de sua área durante a faculdade. Sem contar que a ampliação da rede de relacionamentos aumenta as chances de adquirir um emprego depois de formado - observa o pró-reitor de Ensino de Graduação da UFSC, Marcos Laffin.
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