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Me formei, e agora?
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Data da Notícia: 08/02/2008


Monografia apresentada, baile acabado, orgulho dos pais. Formar-se é uma
conquista para familiares e diplomados. Mas os dias depois da festa podem
trazer uma dor de cabeça que vai além da causada pela ressaca. Afinal, o
que fazer com o canudo nas mãos é uma preocupação da qual poucos escapam.

 Se sair da faculdade não é tarefa fácil, fazer parte do mercado de
trabalho também é um dilema. O melhor é descobrir em que se deseja
trabalhar, focar na opção e, claro, trazer trabalho extra no currículo de
acadêmico.

 - Antes da formatura, acordava, ia para a faculdade e fazia estágio à
tarde. Agora, sem saber o que quero fazer, fica difícil até de procurar uma
ocupação. Apesar de querer estudar para concurso, não pretendo exercer um
cargo sem experiência anterior. O problema é que está cheio de advogados
por aí. E para dedicar um período do dia aos estudos, preciso de um salário
que pague parte das despesas - preocupa-se a bacharel em Direito Caroline
Coutinho Locks, 22 anos, graduada há duas semanas pela Universidade do Vale
do Itajaí (Univali).

 Dos 56 colegas de formatura de Caroline, ela calcula que menos da metade
esteja trabalhando. Desses, nem todos atuam na área, fazendo jus ao
diploma. De acordo com ela, muitos dos que estão colocados no mercado como
advogados trabalham com parentes ou conseguiram ficar nos escritórios em
que fizeram estágio durante a graduação. 

 Não é à toa que hoje as universidades mostram preocupação com os
diplomados e o tempo que o papel das instituições era restrito a oferecer
estágios durante os cursos já é coisa do passado. Os serviços de apoio aos
recém-formados estão ganhando espaço nas instituições de ensino superior
catarinenses, embora os alunos às vezes nem saibam que podem usufruir
desses serviços.

 - É comum que os alunos saiam dos cursos preparados para atuarem no
mercado, mas não para chegarem até ele. Existem jovens que se formam sem
saber o que querem nem aonde ir porque não há esclarecimento satisfatório
nas faculdades - comenta a psicóloga Caroline Siega.

 Um estudo realizado com alunos da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS) de vários cursos demonstrou que nem mesmo a euforia do ingresso
na universidade é duradoura e uma certa decepção com o curso é identificada
entre os calouros. 

 No segundo ano, conforme a pesquisa, alguns alunos passam a reclamar de
tudo e esperam só o que lhes é dado pela instituição. Outros buscam
monitorias, bolsas de pesquisa e trabalho voluntário, preparando-se para o
mercado e conhecendo a realidade da profissão. A turma então se divide
entre os que continuam a reclamar e a esperar uma oportunidade, e os que
vão à luta.

 - Se o egresso tem uma expectativa não condizente com o mercado de
trabalho, acaba se frustrando. Daí a importância do contato com os afazeres
de um profissional de sua área durante a faculdade. Sem contar que a
ampliação da rede de relacionamentos aumenta as chances de adquirir um
emprego depois de formado - observa o pró-reitor de Ensino de Graduação da
UFSC, Marcos Laffin. 		

Fonte: Diário Catarinense



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