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Compensar os efeitos da pobreza e tentar travar o mecanismo que faz com que a criança pobre se torne um adulto pobre passa, essencialmente, pela educação. O governo federal tenta fazer isso por meio do programa Bolsa-Escola, que paga R$ 15 mensais por cada filho que a família mantiver na escola. Entidades e organizações não-governamentais, financiadas com dinheiro do projeto Criança Esperança, também atuam com este tipo de estratégia.
A Casa do Pequeno David, em João Pessoa (Paraíba), oferece comida e uma jornada ampliada de escola para 300 crianças e adolescentes beneficiados pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Antes as crianças viviam de revirar o lixão da cidade ou de pedir esmolas nas ruas.
Hoje a família recebe um valor mensal do governo municipal para manter a criança na escola. Depois das aulas, elas vão para a Casa, onde praticam esportes, participam de oficinas de arte, cursos profissionalizantes, informática e têm ajuda para fazer pesquisas e o dever de casa. Além disso, há também um acompanhamento da situação das famílias. Profissionais convidam as mães a ir à Casa para participar de oficinas e receber orientações sobre higiene, alimentação e educação. Os resultados são bons.
"A evasão escolar, que era de 60%, já caiu drasticamente", explica a orientadora pedagógica Ana Raquel de Oliveira França. "Muita mãe que espancava os filhos também aprendeu a lidar com eles."
Existe também um esforço para valorizar as questões de gênero e raça. Nos primeiros contatos, os profissionais da Casa detectaram que muitas crianças tinham vergonha de sua condição social e da cor, por isso foram criados programas educativos específicos para dar orientações sobre cultura negra e cidadania. O sistema de acompanharnão só a criança, mas a família toda, também é usado em outro projeto, o Infância Saudável, tocado pela prefeitura de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.
Os alvos são mais de 300 crianças de 2 a 6 anos que passam duas horas por dia no local. Durante este tempo, elas fazem exercícios de sensibilização à leitura (que, mais tarde, vão facilitar a alfabetização), atividades lúdicas e pedagógicas.
É, na essência, uma espécie de pré-escola, coisa que está longe da realidade para 39% das crianças nesta faixa etária, segundo o Unicef. "As chances de a criança ir para a escola depois são muito maiores", explica Ana Selma dos Santos, secretária de Educação do município. Sem um estímulo deste tipo, uma criança que vive em uma casa pobre, sem a menor chance de ver livros pela frente, teria muito mais dificuldades para ser alfabetizada.
Teria também grandes possibilidades de abandonar a escola mais cedo para entrar na fila do trabalho infantil. As mães também são convidadas a ir ao local. Lá, além das orientações básicas sobre higiene e alimentação alternativa, elas participam de oficinas de artesanato, como pintura em tecido.
Além de tentar aumentar a auto-estima destas mulheres, o objetivo é ensinar uma atividade que possa, mais tarde, gerar uma renda extra para completar o orçamento familiar. O próximo passo é tentar atrair também os pais, que ainda resistem a participar da iniciativa. O plano é formar parcerias com empresas da região para que ofereçam treinamento profissionalizante. (L..L.)
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