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Educação é aposta contra a miséria
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Data da Notícia: 27/06/2003


Compensar os efeitos da pobreza e tentar travar o mecanismo que faz com que
a criança pobre se torne um adulto pobre passa, essencialmente, pela
educação. O governo federal tenta fazer isso por meio do programa
Bolsa-Escola, que paga R$ 15 mensais por cada filho que a família mantiver
na escola. Entidades e organizações não-governamentais, financiadas com
dinheiro do projeto Criança Esperança, também atuam com este tipo de
estratégia.


A Casa do Pequeno David, em João Pessoa (Paraíba), oferece comida e uma
jornada ampliada de escola para 300 crianças e adolescentes beneficiados
pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Antes as crianças viviam
de revirar o lixão da cidade ou de pedir esmolas nas ruas.


Hoje a família recebe um valor mensal do governo municipal para manter a
criança na escola. Depois das aulas, elas vão para a Casa, onde praticam
esportes, participam de oficinas de arte, cursos profissionalizantes,
informática e têm ajuda para fazer pesquisas e o dever de casa. Além disso,
há também um acompanhamento da situação das famílias. Profissionais
convidam as mães a ir à Casa para participar de oficinas e receber
orientações sobre higiene, alimentação e educação. Os resultados são bons.


"A evasão escolar, que era de 60%, já caiu drasticamente", explica a
orientadora pedagógica Ana Raquel de Oliveira França. "Muita mãe que
espancava os filhos também aprendeu a lidar com eles."


Existe também um esforço para valorizar as questões de gênero e raça. Nos
primeiros contatos, os profissionais da Casa detectaram que muitas crianças
tinham vergonha de sua condição social e da cor, por isso foram criados
programas educativos específicos para dar orientações sobre cultura negra e
cidadania. O sistema de acompanharnão só a criança, mas a família toda,
também é usado em outro projeto, o Infância Saudável, tocado pela
prefeitura de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.


Os alvos são mais de 300 crianças de 2 a 6 anos que passam duas horas por
dia no local. Durante este tempo, elas fazem exercícios de sensibilização à
leitura (que, mais tarde, vão facilitar a alfabetização), atividades
lúdicas e pedagógicas.


É, na essência, uma espécie de pré-escola, coisa que está longe da
realidade para 39% das crianças nesta faixa etária, segundo o Unicef. "As
chances de a criança ir para a escola depois são muito maiores", explica
Ana Selma dos Santos, secretária de Educação do município. Sem um estímulo
deste tipo, uma criança que vive em uma casa pobre, sem a menor chance de
ver livros pela frente, teria muito mais dificuldades para ser
alfabetizada.


Teria também grandes possibilidades de abandonar a escola mais cedo para
entrar na fila do trabalho infantil. As mães também são convidadas a ir ao
local. Lá, além das orientações básicas sobre higiene e alimentação
alternativa, elas participam de oficinas de artesanato, como pintura em
tecido.


Além de tentar aumentar a auto-estima destas mulheres, o objetivo é ensinar
uma atividade que possa, mais tarde, gerar uma renda extra para completar o
orçamento familiar. O próximo passo é tentar atrair também os pais, que
ainda resistem a participar da iniciativa. O plano é formar parcerias com
empresas da região para que ofereçam treinamento profissionalizante.
(L..L.)		

Fonte: Valor Econômico, 26/06/2003 - São Paulo SP - De Sã



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