|
Dos problemas que afetam as crianças de todo o mundo, não há praticamente nenhum contra o qual o United Nations Children´s Fund (Unicef) não tenha lutado, ou não esteja lutando. Para dar apenas alguns exemplos, só em 2002 o Unicef contribuiu para a maior campanha de vacinação já realizada na África, imunizando 13 milhões de crianças contra o sarampo no Quênia.
No Afeganistão, garantiu acesso à educação para mais de 1 milhão de meninas, para as quais o regime taleban fechara a porta das escolas por mais de cinco anos. Em Ruanda, ajudou a criar 147 clubes para a prevenção da aids em jovens. "No Brasil, nosso foco são o Norte e o Nordeste, onde a exclusão social é maior", afirma Reiko Niimi, representante do Unicef no Brasil.
A organização nasceu em dezembro de 1946, apenas 11 meses depois da primeira assembléia-geral da Organização das Nações Unidas, para assegurar cuidados básicos às crianças européias e japonesas na situação emergencial do pós-guerra, e tornou-se organismo permanente da ONU em 1953. Chegou ao Brasil em 1950, quando decidiu expandir suas bem-sucedidas campanhas de vacinação na Europa a todo o mundo, para reduzir a mortalidade infantil.
A falta de vacinas, que ainda mata 11 milhões de crianças a cada ano, continua no topo de sua lista de prioridades. A situação social brasileira melhorou muito de 1950 para cá, e os últimos anos assistiram a mudanças relevantes, pondera Reiko. "O Brasil conseguiu universalizar a vacinação infantil e atingiu boa parte das metas do Unicef para a década de 90", diz ela.
Ainda não garantiu, por exemplo, água potável e saneamento básico para toda a população, mas respondeu rapidamente à convenção sobre os direitos da criança, assinada na ONU em 1989, com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990, e superou a meta de oferecer educação básica para pelo menos 80% das crianças em idade escolar.
"Hoje, 97% delas estão matriculadas, e criaram-se programas concretos para a erradicação do trabalho infantil, como o Bolsa-Escola, que infelizmente não tem muitos similares nos países em desenvolvimento."
Ainda há, porém, muito por fazer. "Para um país do tamanho do Brasil, deixar 3% das crianças fora da escola significa cercear o direito à educação a 1 milhão de pessoas", enfatiza Reiko. "Queremos saber quem são elas, onde vivem e por que estão fora do sistema educacional", diz ela. Daqui para a frente, o Unicef tenderá a se concentrar na melhoria do ensino público, na continuidade e no desenvolvimento da inteligência das crianças desde os primeiros anos de vida, treinando pais e educadores para estimular atividades psicomotoras dentro de casa, em creches e brinquedotecas.
Conforme seu relatório anual de 2002, o Unicef arrecadou naquele ano quase US$ 1,5 bilhão, em verbas governamentais, intergovernamentais, do setor privado e de pessoas físicas, mais a venda dos produtos com sua marca. O Brasil recebeu US$ 1,6 milhão de fundos internacionais e arrecadou nacionalmente R$ 20 milhões, dos quais 15% só entrariam em caixa efetivamente em 2003. (T.M.)
|