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Combate à exclusão social é foco do Unicef
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Data da Notícia: 27/06/2003


Dos problemas que afetam as crianças de todo o mundo, não há praticamente
nenhum contra o qual o United Nations Children´s Fund (Unicef) não tenha
lutado, ou não esteja lutando. Para dar apenas alguns exemplos, só em 2002
o Unicef contribuiu para a maior campanha de vacinação já realizada na
África, imunizando 13 milhões de crianças contra o sarampo no Quênia.


No Afeganistão, garantiu acesso à educação para mais de 1 milhão de
meninas, para as quais o regime taleban fechara a porta das escolas por
mais de cinco anos. Em Ruanda, ajudou a criar 147 clubes para a prevenção
da aids em jovens. "No Brasil, nosso foco são o Norte e o Nordeste, onde a
exclusão social é maior", afirma Reiko Niimi, representante do Unicef no
Brasil.


A organização nasceu em dezembro de 1946, apenas 11 meses depois da
primeira assembléia-geral da Organização das Nações Unidas, para assegurar
cuidados básicos às crianças européias e japonesas na situação emergencial
do pós-guerra, e tornou-se organismo permanente da ONU em 1953. Chegou ao
Brasil em 1950, quando decidiu expandir suas bem-sucedidas campanhas de
vacinação na Europa a todo o mundo, para reduzir a mortalidade infantil.


A falta de vacinas, que ainda mata 11 milhões de crianças a cada ano,
continua no topo de sua lista de prioridades. A situação social brasileira
melhorou muito de 1950 para cá, e os últimos anos assistiram a mudanças
relevantes, pondera Reiko. "O Brasil conseguiu universalizar a vacinação
infantil e atingiu boa parte das metas do Unicef para a década de 90", diz
ela.


Ainda não garantiu, por exemplo, água potável e saneamento básico para toda
a população, mas respondeu rapidamente à convenção sobre os direitos da
criança, assinada na ONU em 1989, com a promulgação do Estatuto da Criança
e do Adolescente, em 1990, e superou a meta de oferecer educação básica
para pelo menos 80% das crianças em idade escolar.


"Hoje, 97% delas estão matriculadas, e criaram-se programas concretos para
a erradicação do trabalho infantil, como o Bolsa-Escola, que infelizmente
não tem muitos similares nos países em desenvolvimento."


Ainda há, porém, muito por fazer. "Para um país do tamanho do Brasil,
deixar 3% das crianças fora da escola significa cercear o direito à
educação a 1 milhão de pessoas", enfatiza Reiko. "Queremos saber quem são
elas, onde vivem e por que estão fora do sistema educacional", diz ela.
Daqui para a frente, o Unicef tenderá a se concentrar na melhoria do ensino
público, na continuidade e no desenvolvimento da inteligência das crianças
desde os primeiros anos de vida, treinando pais e educadores para estimular
atividades psicomotoras dentro de casa, em creches e brinquedotecas.


Conforme seu relatório anual de 2002, o Unicef arrecadou naquele ano quase
US$ 1,5 bilhão, em verbas governamentais, intergovernamentais, do setor
privado e de pessoas físicas, mais a venda dos produtos com sua marca. O
Brasil recebeu US$ 1,6 milhão de fundos internacionais e arrecadou
nacionalmente R$ 20 milhões, dos quais 15% só entrariam em caixa
efetivamente em 2003. (T.M.)


		

Fonte: Valor Econômico, 26/06/2003 - São Paulo SP - Tânia



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