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Direitos iguais não bastam. Para garantir a cidadania é necessário entender que homens e mulheres precisam de diferentes abordagens de gênero. É diferenciando, portanto, que se valoriza. Por mais que a sociedade concorde que o século passado foi de grandes conquistas para as mulheres, as desigualdades ainda são desconfortáveis; por mais que se negue o racismo, há um impacto negativo na questão da auto-estima e, conseqüentemente, na aprendizagem.
Para Denise Carreira, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o grande desafio é construir uma escola menos discriminatória - "onde se possa quebrar o velho padrão que estimula a liderança nos meninos e a obediência nas meninas".
A educação, diz ela, é responsável pela dificuldade das mulheres em exercer a liderança na idade adulta. Educação discriminatória reforça os papéis sexuais e, muitas vezes, dificulta o desenvolvimento de relações positivas, segundo Denise.
"Em lugar disso, precisamos de uma educação que valorize a diferença e que permita que crianças e adolescentes desenvolvam múltiplas competências, ultrapassando os limites do papel sexual e os limites que a discriminação impõe." eixo fundamental desse processo de transformação é a educação, que começa pelo desafio de gênero. "Educação de melhor qualidade passa pela valorização das professoras que se concentram em sua maioria no ensino básico, fundamental e médio", propõe Denise.
As mudanças, porém, ganhariam mais força se articuladas com políticas públicas associadas a assistência social, saúde, geração de emprego. Embora sejam maioria (51,3%) entre a população com mais de 5 anos, permaneçam mais tempo na escola (96,7%) que os meninos (96,3%) e estejam à frente quando se compara anos de estudo (23,2% contra 20,1%), essa vantagem não significa mais rendimento. Mulheres ultrapassam os 80% entre os profissionais do ensino fundamental.
Mas não chegam a 30% entre os docentes nas universidades, onde os salários são maiores. Quando a questão de gênero cruza com a questão de raça, as meninas negras enfrentam também o preconceito nas escolas. O enfrentamento do problema, na opinião de Denise Carreira, passa por referências positivas a heróis negros, maior visibilidade à cultura afro-brasileira e valorização da estética negra.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em média mulheres brancas recebem 65% dos ganhos dos homens brancos. Homens negros ganham 50% do que ganham homens brancos, enquanto mulheres negras recebem metade dos rendimentos das mulheres brancas. A parte mais cruel, contudo, são os dados do Censo que insistem em perpetuar essas iniqüidades: 45% do total de crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos são pobres.
Crianças e adolescentes cujas mães não têm ou têm menos de um ano de escolaridade são mais pobres (76%) que aquelas cujas mães têm 11 ou mais anos de escola (11%). Entre as crianças e adolescentes portadoras de deficiência, 50% possuem rendimento familiar per capita de meio salário mínimo.
Pobreza no Brasil, não é só questão de gênero, mas também de raça e classe social, na opinião de Nilza Iraci, coordenadora social do Geledés, organização voltada para a eliminação do racismo e do sexismo na sociedade. "Só com informação se reverte uma situação de desigualdade."
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