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Embora sejam minoria nos cursos de negócios, nessas áreas elas somam mais da metade.
Vanessa Buchheim, 30 anos, tem uma filha de cinco, estudou economia e atualmente é diretora comercial da Via Global, empresa gestora de uma rede de guias de entretenimento on-line. Maria Teresa Pereira Leite, 36 anos, não tem filhos, formou-se em administração de empresas e responde pela área de produtos financeiros do ABN-Amro.
Vanessa está cursando o MBA Executivo do Coppead, que está entre os 100 melhores cursos do mundo, segundo o ranking do jornal britânico Financial Times. Para conciliar escola e trabalho, dedica todos os fins de semana ao estudo. "É um sacrifício", diz. "Mas também é um exemplo para a minha filha".
Maria Teresa, que está se preparando para assumir uma posição mais sênior no banco, está fazendo o curso STC ("Skills, Tools and Competence") da Fundação Dom Cabral (FDC). Realizado em parceria com a Kellogg, escola de negócios da Universidade Northwestern, é um dos programas mais "tops" da FDC. Por enquanto, ao contrário de Vanessa, não pensa em ter filhos.
Ela acredita que a licença-maternidade é um fator limitante na carreira e a que a dedicação à profissão deve ser integral. "É preciso saber o quanto se está disposta a isso", diz. Apesar de terem perfis diferentes, as duas têm em comum o fato de serem minoria em suas salas de aula.
Vanessa é uma das nove mulheres dos 39 alunos do MBA do Coppead e Maria Teresa, um das quatro futuras líderes de seu curso, que tem 57 estudantes. Apesar de historicamente serem reconhecidas como boas negociadoras e profissionais decididas, as mulheres ainda são poucas no mundo dos negócios e nos cursos que abrangem essa área.
No MBA Executivo ministrado pela Fundação Instituto de Administração (FIA) da USP, elas representam 20% dos alunos. "É reflexo do mercado de trabalho e da participação delas no comando das organizações", justifica Joel Souza Dutra, coordenador dos MBAs. Na área de recursos humanos, no geral, a participação das mulheres sobe.
"Nesse tipo de MBA elas representam metade dos alunos", diz o professor Dutra. Outra área onde a presença da mulher é mais abrangente é a de marketing. No Ibmec, no Rio de Janeiro, elas representam 58% dos estudantes. No Instituto Coppead, da UFRJ, enquanto nos outros MBAs elas significam entre 20 e 30% dos estudantes, no marketing, este ano, elas também superam os 50%. "Para nós isso é muito bom porque ajuda a manter uma maior diversidade na sala de aula", diz Letícia Casotti, coordenadora do MBA de 0 marketing.
Ela lembra uma particularidade da instituição: 7 dos 24 professores dos MBAs são mulheres. "Isso não é comum no mundo", diz. A situação dos cursos brasileiros em relação à participação da mulher não é diferente do que acontece em outros países. Um levantamento feito no último ranking com as 20 melhores escolas de negócios da revista Business Week, mostrou que entre 2002/03, as mulheres representavam apenas 30,3% dos alunos do primeiro ano dos MBAs.
Parece pouco, mas isso significou um pequeno aumento em relação a 1988/89, quando esse percentual era de 28,6%. Não foi o suficiente, reclamam os diretores. O número é ainda decepcionante. E este quadro é o mesmo nos melhores cursos da Europa. Na London Business School apenas 26% dos alunos do primeiro ano de MBA são mulheres.
A questão é que nos Estados Unidos, apesar de representar apenas 30% dos alunos de MBA, elas comandam 38% das empresas americanas, segundo Constance Helfat, professora de estratégia e tecnologia da Tuck, escola de negócios da Universidade de Darthmouth, disse à revista The Econommist.
Para ela, por não conseguirem boas oportunidades no mercado, as mulheres têm preferido montar o próprio negócio.
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