|
Apesar do número crescente de mulheres em praticamente todas as áreas profissionais, a presença feminina no setor de computação está caindo drasticamente, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). A presidente da entidade, Claudia Bauzer Medeiros, diz o problema poderá acarretar graves impactos sobre a economia, a pesquisa e a ciência.
"Estamos muito preocupados com isso. Mas o fenômeno não ocorre apenas no Brasil, ele é mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, a presença feminina vem caindo a cada ano na área de computação", disse Claudia, em entrevista à Agência Fapesp. Segundo Cláudia, há 20 anos as mulheres chegaram a ocupar quase metade das vagas nos cursos de graduação em computação. Desde 1992, o número de candidatas tem caído.
Segundo a SBC, na pós-graduação em Ciência da Computação, atualmente cerca de 25% dos estudantes são mulheres. O número de professoras varia entre 25% e 30%. Na graduação, dados do Ministério da Cultura (MEC) mostram que a participação feminina baixou de 30%, há 15 anos, para 5% a 10%. Para a Cláudia, há duas hipóteses para o desinteresse feminino - uma de origem econômica, outra de origem social.
"O aspecto econômico é que houve um aumento da competição na área. Antes, as mulheres ocupavam os cargos porque não havia tanto interesse. À medida que o setor evoluiu e começou a oferecer salários melhores, os homens pressionaram o mercado de trabalho e a competição foi acirrada", explicou. Além disso, a mulher, em geral, teria maiores preferência e habilidade por atividades que incluam contatos sociais e humanos.
|