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O grande objetivo da educação deve ser a formação do homem integral, ou seja, uma educação que envolva os âmbitos emocional, ético e cognitivo. Não podemos confundir informação e cognição com educação. A informação faz parte da educação, mas a educação não se resume a informar e a estimular a cognição. Segundo Paulo Freire, "transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador" (Pedagogia da Autonomia, 1996). Temos assistido a inúmeros exemplos de pessoas muitos "inteligentes" utilizando suas capacidades de forma imoral, apropriando-se de recursos públicos, praticando o nepotismo etc.
Em muitas escolas já se tornou hábito os alunos furtarem objetos uns dos outros e resolverem seus conflitos de forma violenta. A esmagadora maioria deles não considera erro adquirir produtos roubados, já que não foram os autores do furto e que "todo mundo compra".
Ao enfatizarmos a importância da educação moral, não estou retirando o valor da educação do intelecto, mas propondo uma igual atenção a esses dois aspectos fundamentais da formação humana.
A educação inicia-se no lar, onde os primeiros professores são os pais. A primeira tarefa dos pais deveria ser a de acompanhar seus filhos, observar suas tendências, para daí elaborar um projeto educacional adequado às necessidades de cada um.
Identificando o que as crianças apresentam como tendências, os pais poderão elaborar um projeto educacional para o que deverão ser. Para uma criança que apresente um temperamento explosivo e agressivo, a proposta educacional deverá ser para a pacificação. Para aquela em que os pais observam um comportamento egoísta, a proposta educacional será a de ensiná-la a dividir, e assim por diante.
Maternidade e paternidade: oportunidade de reeducação, de redimensionamento dos hábitos. Ninguém poderá trabalhar por educar, sem trabalhar por educar-se, pois ninguém dá aquilo que não tem.
Como andam os exemplos dos pais e dos professores a respeito desses valores pessoais? Em que valores acreditam? Quando dizemos uma coisa e fazemos outra, estamos ensinando aos nossos filhos e alunos a lição da hipocrisia. Ou seja, eu não preciso ser, mas tenho que parecer ser.
Se nos omitirmos da obrigação de ensinar para as nossas crianças o valor da disciplina e dos limites argumentando não querermos traumatizá-las ou chocá-las com as nossas proibições, talvez mais tarde elas choquem o mundo com suas atitudes de rebeldia não educada ao colocarem fogo em mendigos que dormem ao relento ou qualquer outro ato de vandalismo e crueldade dos quais, infelizmente, não têm faltado exemplos no nosso cotidiano.
Se quisermos educar para a vida, se quisermos contribuir na formação de pessoas que atuem de forma ética e responsável em suas profissões, que tenham uma preocupação com justiça social e que se sintam instrumentos dessa justiça, temos que nos ocupar com a formação integral do indivíduo.
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