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Professores de universidades públicas e privadas estão preocupados com uma onda de fraudes entre os alunos. A incidência de plágio e de furto de trabalhos já fez com que alguns cursos inventassem uma espécie de "selo de autenticidade", uma garantia de que o trabalho realmente foi feito pelo estudante que colocou seu nome no cabeçalho. Os alunos do curso de Arquitetura do Centro Universitário Belas Artes, por exemplo, não podem mais fazer trabalhos práticos em casa e têm de entregar as pesquisas escritas à mão.
- Já que não podemos impedir que o aluno utilize a internet, pedimos que ele transcreva tudo e entregue à caneta. É uma garantia de que pelo menos ele leu o que está entregando - explica Turguenev Roberto de Oliveira, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Belas Artes.
Além disso, os projetos só são avaliados se tiverem um visto do professor, uma prova de que foram feitos em sala. Outras faculdades também se municiam contra as fraudes. Este é o caso da Faculdade Cásper Líbero.
- Aqui na Cásper ainda não chegamos a tomar atitudes tão radicais. O que fazemos são apelos aos alunos para que não procedam de forma antiética - diz Wellington Andrade, coordenador do curso de jornalismo da instituição da capital.
Segundo Andrade, o regimento da faculdade prevê penas severas para o plágio, como nota zero no bimestre e suspensão de cinco dias. Para o advogado Leo Wojdyslawski, especialista em direitos autorais, é muito difícil que um caso de plágio ou roubo de trabalho seja levado à Justiça, uma vez que o autor nunca vai ter conhecimento do fato.
- Utilizar textos de terceiro, sem dar crédito é uma violação de direito autoral. Mas como o texto não é publicado, é difícil que haja algum tipo de punição - conta o especialista.
Segundo ele, as instituições de ensino têm autonomia para aplicar a pena. Existe uma certa dificuldade para definir o que é plágio, já que nem sempre o aluno faz uma cópia literal do texto original. Muitas vezes o estudante se inspira nas idéias principais para escrever um texto diferente, ou mantém trechos literais no meio das frases.
- Quando o estudante tenta enganar o professor, ele só quer ganhar a nota, e não percebe que está prejudicando sua formação acadêmica e moral - opina o coordenador do Centro Universitário Belas Artes.
Além de pesquisas copiadas e textos plagiados, trabalhos de outras naturezas também preocupam educadores. Quando fazem uma entrevista, os alunos da Belas Artes precisam entregar fotos para provar que estiveram juntos com o entrevistado.
Segundo a assessoria de imprensa da Universidade de São Paulo (USP), não existe ainda um método aplicado em casos de plágio e de falsificação de trabalhos escolares e acadêmicos. Eles são encaminhados para a Consultoria Jurídica da instituição.
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