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Setor privado enfoca o mercado
Uma vantagem dos alunos das particulares é que eles estão praticamente livres das greves.
18/01/2006
Universia
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Estudar em uma universidade particular, para grande parte dos estudantes, representa uma segunda opção. Apesar disso, muitas instituições privadas atendem bem às demandas dos alunos, especialmente no que se refere à entrada no mercado profissional. Do ponto de vista da formação, se a perspectiva é entrar no mercado de trabalho, o aluno é mais bem-sucedido no setor privado, afirma a pesquisadora do Nupes (Núcleo de Pesquisa sobre o Ensino Superior) da USP Elizabeth Balbachevsky. De acordo com ela, cursos novos como moda, design e hotelaria, e outros mais tradicionais na área de administração e comunicação, por exemplo, são muito bons nas privadas. A pública não consegue cobrir essa demanda e quando faz fica ruim. Isso é um ensino necessário e importante e a pública trabalha com uma lógica exclusivamente acadêmica, diz. Isso porque os professores não vão ser avaliados pela competência, pela experiência, pelo conhecimento do mercado, mas sim se têm doutorado, se publicam no exterior etc.. Para a melhoria da qualidade no setor houve um aumento na circulação de pessoal entre as instituições públicas e as privadas. Antes, o professor do setor privado era de colegial, completamente alheio à vida acadêmica, diz Elizabeth. Uma vantagem dos alunos das particulares é que eles estão praticamente livres das greves. De acordo com o presidente do Semesp (sindicato dos estabelecimentos de ensino superior do Estado de São Paulo), Hermes Ferreira Figueiredo, o setor privado está há 17 anos sem greve de professores ou funcionários. A primeira vantagem de quem escolhe uma faculdade privada de bom nível é o respeito aos direitos dos alunos. Ele contrata um serviço e nós prestamos esse serviço. Isso [a greve] é um prejuízo enorme de tempo e de eficácia para os alunos, diz Figueiredo. Essa lógica de mercado acaba sendo um ponto positivo. A universidade pública, de maneira geral, não é atenta às necessidades do aluno, tem uma lógica de funcionamento burocrática, afirma Elizabeth. A professora cita como exemplo o curso de relações públicas, na USP, no qual os estudantes, com o passar do tempo, migram para o período noturno, mas os serviços de atendimento ao aluno fecham à noite. Isso jamais aconteceria no setor privado porque os alunos botariam a boca no trombone. Nas principais particulares, há renovação de equipamento, acervo, infra-estrutura. Recebem investimento com mais facilidade e rapidez, de acordo com a demanda, completa Figueiredo. Apesar de tudo, para muitos, a escolha da faculdade ultrapassa essas questões e pode ter um aspecto mais subjetivo. Fernanda Guerreiro Barbizan, 18, presta direito e não quer a São Francisco porque diz que não gosta do jeito do curso, das pessoas e do ambiente. A USP, todo mundo sabe, tem cursos ótimos e outros que não são tudo isso. Não estou dizendo que não é bom, mas não me encaixo no perfil. Para Fernanda, há muito glamour em torno da universidade. Acho a USP meio presa às regras, até porque tem toda aquela pompa. As particulares te deixam mais solto. Acho o ensino melhor até. É um dinheiro bem investido, opina. Vestibular Entrar em uma faculdade privada também pode significar abreviar o tempo de vestibular. Any Julia Urbieta, 21, cursou pedagogia na USP e se decepcionou com o curso e com a universidade. Na hora de escolher uma faculdade para estudar administração, preferiu uma particular. Nem passou pela minha cabeça prestar USP de novo. Como eu já tenho 21 anos, não queria perder mais tempo. Ela diz estar feliz com sua escolha. Foi aprovada e já recebeu proposta de estágio, antes mesmo de fazer a matrícula. É uma instituição que já conheço, amigos me disseram que tem bons professores, o curso é bem aceito no mercado e a faculdade é conceituada. [Folha de S.Paulo] Constança Tatsch
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