"Em 2008, no primeiro ano da faculdade, participei da campanha de doação de sangue realizada anualmente pela UNILINS em parceria com o Hemonúcleo do Hospital Amaral Carvalho de Jaú. Na oportunidade, também é realizada a Campanha de Doação de medula óssea que, após exames, o Hospital Amaral Carvalho encaminha ao REDOME - Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea.
Em junho de 2010, fui procurado pela REDOME quando me informaram de que havia uma pessoa necessitando do transplante de medula óssea, e se eu estava disposto a doar. A partir de minha confirmação, deram início a uma bateria de exames no Hospital Amaral Carvalho, o que deixou minha família preocupada, pois, não sabíamos nada sobre o assunto. Entretanto, eu tinha certeza de que tudo daria certo.
Os resultados saíram e eu estava apto para a doação. A coleta foi marcada para agosto de 2010, e a coleta foi realizada com um procedimento cirúrgico sob anestesia, com múltiplas punções aspirativas no osso da bacia. Sob alta no dia seguinte, apesar da curiosidade, segui o protocolo e não pude conhecer o receptor, pois a lei protege tanto o receptor quanto o doador, quando ambos não possuem parentesco e nem se conhecem. A medula foi retirada e encaminhada para o hospital onde estava o receptor.
Após um mês da doação, repeti os exames e estava tudo como era antes.
Perguntei se o receptor estava bem e me disseram que sim, que o transplante havia sido um sucesso.
Em janeiro 2016, o REDOME me informou que o receptor gostaria de me conhecer. Assinei o termo de consentimento e, em abril, nossos nomes e nossos telefones foram revelados. Foi um momento emocionante.
Na manhã de 06 de abril, liguei para a sra. Vitória, mãe de Pedro Augusto, a quem doei a medula. Ele estava na escola e ela explicou que após o transplante Pedro havia se tornado uma criança saudável. Ela me agradeceu e suas palavras me emocionaram. Se a doação salvou a vida do Pedro, também transformou a minha vida e, certamente, a vida dele.
Assim que ele chegou da escola, ela tirou uma foto e me mandou por um aplicativo de mensagem. Vi naquele menino um brilho nos olhos de alguém com intensa vontade de viver.
Ao falar com Pedro, foi muito emocionante. A partir de então, começamos a nos falar por telefone e por troca de mensagens e fotos. Desde o início sentíamos vontade de nos encontrar e nos conhecermos pessoalmente. Numa certa sexta-feira, após avisar a sra. Vitória, saímos de manhã rumo a Uberlândia, Minas Gerais. Chegamos na e fomos recebidos pelo Pedro. Dei-lhe um forte e longo abraço. Em seguida, vieram a mãe, a avó, o padrasto, a bisavó, o irmão, o primo, a tia, o tio e, assim, conheci toda a família que havia preparado um banquete mineiro pra nós.
Descobri que eu e o Pedro éramos 100% compatíveis. Nem a mãe, pai e irmãos eram compatíveis nesta proporção. Senti naquele momento que que estava ganhando amigos para a vida toda, e que a felicidade não depende de atos grandiosos.
Na hora de nos despedirmos a emoção foi enorme. Foram momentos incríveis que, com certeza, ficarão guardados não somente na memória, mas no coração."