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Professores -não precisamos de um dia especial de comemoração apenas, com frases superficiais e discursos inconsistentes, tapinhas nas costas, flores e cartões, um milésimo de segundo na TV para um reconhecimento oficial - quem sabe? E amanhã, tudo igual.
Há um projeto de educação maravilhoso para este país – as diretrizes estão definidas, as metas delineadas, a teoria, uma beleza. Idéias da mais alta relevância estão sendo difundidas em inúmeros cursos.
E os professores, onde estão? A categoria está envelhecendo e as estatísticas revelam que os jovens não querem ser professores – aos poucos a opção pelo magistério passa a ser a última, por falta de outra oportunidade qualquer, enquanto durante séculos foi o sonho de muitos. Era um ideal a ser atingido, cultivado desde as lousinhas nos quintais em simulações e faz-de-conta de “agora eu era a professora e você não tinha feito tarefa”.
Será que somos parcialmente culpados por esse desinteresse? Cansados, frustrados, sem ambiente adequado para desenvolver o trabalho como gostaríamos, medianamente remunerados, sem grandes perspectivas de crescimento, sem garantia de continuidade de projetos iniciados em um mesmo local, sob pressão e até com medo, talvez sejamos, para alguns, a própria imagem do fracasso.
Porque nos deixamos ser tratados assim? Perdemos a convicção da importância de sermos educadores?
Fomos ídolos para muitos, modelos para todos em determinada fase da vida; autoridades a serem consultadas em tantas situações – criamos relações de amizade e confiança que ainda perduram e, por muitos e muitos anos, fomos visitados e ouvidos atentamente.
Como foi que as coisas mudaram? Por que a maioria de nós sente uma sensação ruim de ser tratado em sociedade como um profissional de segunda classe, até mesmo por outros profissionais com o mesmo nível de formação?
Precisamos estimular nossa auto-estima e renovar a consciência do valor inestimável do nosso papel cotidiano junto às crianças, adolescentes e adultos, principalmente neste momento histórico em que todos os valores parecem castelos de areia e as instituições desmoronam uma a uma.
Médicos, engenheiros, advogados, economistas, administradores de empresas, dentistas, arquitetos, cientistas de todas as áreas, e tantos outros – dependeram e dependem de nós ao longo de toda a sua formação e hoje, somos responsáveis pela formação das novas gerações. Complementamos deveres da família e, em alguns casos, por algumas horas do dia, substituímos a própria família.
Como espécie ameaçada de extinção, não esperemos reconhecimento público por serviços relevantes. Sabemos quem somos e que é de nível superior o dever prazeroso de proporcionar condições de crescimento de cidadãos, cuja formação adequada não tem preço.
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