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A Educação a Distância (EAD) vem crescendo no Brasil, embora ainda encontre como principais barreiras a falta de confiança de alguns profissionais e de dedicação por parte dos alunos. No mundo, a evasão chega a 35%. Porém, mesmo com entraves, em um País carente de salas de aula e professores como o Brasil, esse tipo de metodologia, se planejada e adaptada à realidade dos grupos, pode ser uma alternativa eficaz, principalmente para adultos que não têm tempo de se deslocar e se dedicar a cargas horárias rígidas.
O assunto foi tema, ontem de manhã, na Unifor, da palestra “A Educação a Distância e a Inclusão Social”, ministrada pela professora Maria Beatriz Ribeiro de Oliveira Gonçalves, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, como parte da programação do Mundo Unifor.
Na opinião da palestrante, para evitar a evasão, alunos e professores precisam rever seus conceitos de aprendizado. Isso porque não se trata apenas de repassar conteúdo para um público não presencial, mas de adaptar linguagem, forma de estudo e ensino, de logística e manutenção de todo o processo.
Segundo a professora da PUC de Minas, as maiores dificuldades consistem no fato que o aluno precisa ter mais autonomia e disciplina para estudar a distância; o planejamento da metodologia e da didática deve ser minucioso; os professores precisam se habituar a não improvisar, mas sempre trabalhar com antecedência; e uma nova linguagem pedagógica deve ser aplicada.
Beatriz Gonçalves explica que, em se tratando de ensino superior, os cursos de licenciatura e os mais teóricos do que práticos são melhor adaptados ao sistema. Os mais difíceis são os que envolvem disciplinas laboratoriais. Mesmo com os outros, chega um momento em que o estudante faz o trabalho prático presencial, mas é acompanhado a distância. Isso já acontece em universidades de Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.
Para efetivar esse tipo de ensino no Brasil, com qualidade e credibilidade, Maria Beatriz acredita que é preciso vencer alguns desafios. “Ainda há preconceito, porque esse ensino começou com pessoas excluídas, com presidiários. É um desafio cultural muito forte, em especial para os professores”, analisa. Já o desafio social é democratizar a educação; e o processual, trabalhar com planejamento e equipes multidisciplinares.
O primeiro passo é entender as diferenças dessa forma de ensino e trabalhar em cima disso. A metodologia presencial tem práticas já consolidadas e é mais resistente à inovação. Também é mais padronizada, ocasionalmente usa mídias, tem um público diverso, mais voltado para jovens, restrito e calendário rígido.
Já na EAD as práticas tendem à inovação por meio de tecnologias, o aluno é mais autônomo, o aprendizado se adapta ao grupo, o custo é baixo, a clientela é mais ampla, o calendário é personalizado e a flexibilidade de tempo é maior. Segundo ela, esse ensino deve ser melhor considerado porque o Brasil tem carência de educadores.
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