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Mãe – o que lhe dizer nesta data?

Parabéns a todas as mães pela data.

09/05/2013
Profa. Maria Emilce Ferreira Villela Pastorello
Imagem: Morguifle
 

 

Minha mãe faleceu muito jovem, quando eu ainda não completara 15 anos. Faz muito tempo...

Depois de tantos anos sem ela, o que resta são lembranças de criança e pré-adolescente e a certeza de que, o que é determinante na formação dos valores de  vida de uma pessoa, assim como na composição de sua base de dados de sentimentos e emoções possíveis - exceto choques traumáticos futuros - já está rascunhado nessa fase da vida.

 Minhas lembranças são de uma mulher alegre, geralmente com um lindo sorriso, sempre presente e por perto, para passar um mertiolate nos arranhões dos joelhos e dar um beijo, um abraço apertado que fazia passar qualquer dor. Acordar à noite, sabendo que estaria por perto, dava uma enorme segurança e a mão na testa fazia sumir a febre do sarampo...

 Tive sorte de ter infância - brincar ao ar livre, fazer batizado de bonecas com as amigas, caçar vagalumes ao cair da tarde, viver cercada de cachorrinhos, subir em árvores, enxergar sacis nos bambuzais - ler a coleção completa de Monteiro Lobato para Crianças - comer pipoca e bolinho de chuva... ah os sonhos com açúcar e canela - experimentar a vida cada dia um pouco mais distante da casa, mas sempre à distância de um grito que me fazia voltar correndo para uma lanche da tarde, preparado por ela com carinho e atenção. Ou porque era hora de me arrumar para a escola - lavada, enxaguada e cheia de talco.

 Cuidava das minhas roupas, sentava comigo para fazer as tarefas de escola - chamava minha atenção, corrigia, às vezes com um chinelo bem ardido, as minhas artes ... e foram muitas. E marcar minha operação de amídalas às vésperas do carnaval que eu adorava... puxa!

 Fazia meu pai amolecer para atender a alguns dos meus pedidos insistentes ... participar de dois eventos na mesma semana... algum passeio especial com amigos ... uma 'brincadeira dançante' em algum clube da cidade...ou na casa da avó paterna, nas tardes de domingo.  Coisas tão ingênuas para os dias de hoje que parecem sonhos... mas bem difíceis de conseguir naquela época.

 Cuidava com muito carinho dos meus avós, dedicava-se ao 'roupeiro de Santa Rita', costurando roupas para os mais necessitados, dedicou-se com afinco às campanhas da Casa da Amizade do Rotary Club, assim como sempre atendeu aos indigentes que batiam a nossa porta.

 Tocava piano e arranhava o violão e sabia um pouco de inglês. Muitas vezes fiquei de castigo ao lado da 'vitrola' onde se ouvia a Rádio Nacional ... conheci alguns programas de cor.

Não era arrogante nem fútil, mas era vaidosa - de esmalte e batom sempre vermelhos - e orgulhosa das origens de sua família. Sabia quem era e era feliz - como esposa, como filha, como irmã e, não sei se principalmente, como Mãe.

 Em uma de nossas conversas de que me lembro bem, ela dizia que sua maior alegria era ter cada filho e amamentá-lo . Somos cinco irmãos, todos de parto normal e, com certeza, temos muitos irmãos de leite, porque ela tirava o excesso e entregava ao banco de leite da Santa Casa de Misericórdia de Lins.

 Tanto ela quanto meu pai chamavam minha atenção para não entrar em uma loja da cidade com um pacote de mercadoria comprado na concorrência - para não ferir o sentimento daquele comerciante. Aprendi a não judiar sequer de um louva-a deus, a valorizar a família, respeitar os mais velhos, a amar a Deus, levar a vida dentro do meu status socioeconômico e a ter consciência de que, da própria consciência dos erros, ninguém consegue fugir.

 Aprendi , também, que, se houver condição de ajudar alguém sob qualquer forma, devo fazê-lo sem esperar retorno ou reconhecimento - a satisfação de ajudar já é a recompensa.

Sua forma de viver deixou muitas lições de vida que, com esforço e muitas retomadas, procuro viver e transmitir - me aceitar como eu sou, sem querer agradar a todos. Não me comparar com ninguém, assim como não comparar os que me cercam - colegas, alunos - pessoas, de modo geral.

 Minha mãe não era perfeita, não sabia tudo - era apenas ela mesma - uma mulher de bem com a vida, para quem a criação dos filhos, até o momento que pode, era uma realização amorosa, uma opção de vida, uma missão que nunca transferiu para ninguém.

Mães de 2013 - a sociedade e o mundo, de modo geral, estão bem mais complicados - mas há uma certeza que posso afirmar a vocês: só há Mãe feliz se observar que seu filho está bem e seu filho estará bem sempre - mesmo no olho do furacão que estamos vivendo, mesmo diante das maiores dificuldades - se souber que você, Mãe, o ama,  aceita-o como é , embora se esforce por corrigir o que é necessário,  e está feliz em conviver com ele cotidianamente.

É difícil e simples assim.

 Em memória da minha mãe, um grande abraço a todas as mães nesta data.

 

 

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