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Cresce o número de idosos que têm investimento na Bolsa
05/07/2011
Maria Paula Autran (Colaboração para a Folha)
Imagem: Folhapress
 
Quem pensa que o mercado de ações é só para jovens está enganado. Dados da BM&FBovespa mostram que o número de investidores com mais de 66 anos foi o que mais cresceu nos últimos 24 meses. De abril de 2009 até o mês passado, o aumento foi de 37%. Em seguida, as faixas que mais cresceram foram a dos 56 aos 65 anos e a dos 46 aos 55. Nas contas, estão incluídos os novos investidores e os que migraram de faixa. De acordo com José Alberto Netto Filho, professor de educação financeira da BM&FBovespa, além do trabalho de popularização da Bolsa, o ambiente macroeconômico do país, estável, influenciou o movimento. "Numa renda fixa, se ele conseguir 10% de rendimento no ano é ótimo. E aí ele olha para a Bolsa e vê que ela pode oferecer mais", diz, lembrando também que uma pessoa com essa idade tem mais renda que um jovem. O aposentado Daniel Gomes de Oliveira, 78, investe há cerca de oito em ações. Ele conta que escolheu a Bolsa porque achou mais vantajoso que outros investimentos. "Leio algumas coisas e vejo empresas que dão alguns dividendos. Sobrava alguma coisinha e eu aplicava", diz. DIVIDENDOS Para os investidores nessa faixa etária, aplicar em empresas pagadoras de dividendos - que têm menos volatilidade - é a orientação da estrategista-chefe da Ativa Corretora, Mônica Araújo. Para ela, energia e telecomunicações são exemplos de setores menos voláteis, indicados para um investidor nessa idade. "Pode ser bastante interessante para esse público que começa uma nova fase da vida buscando mais retorno sobre seu investimento", diz. "Esse é um investidor com um horizonte mais curto do que uma pessoa que entra no mercado com 25 anos". Conhecer o nível de risco que o investidor aceita tomar e diversificar as aplicações também é importante, dizem os analistas. De acordo com o diretor operacional da SLW, Robson Queiroz, em toda aplicação de renda variável é preciso pensar no longo prazo, mas esse investidor tem características específicas. "Esse perfil é de uma estratégia mais conservadora justamente para poder ter esses retornos e fazer um complemento da renda do investidor. A pessoa de mais idade procura um investimento, apesar de um certo grau de risco, com mais segurança." Os analistas recomendam só investir diretamente em ações se a pessoa tiver condição de acompanhar o desempenho do mercado e das empresas. Caso contrário, clubes e fundos de investimento - que funcionam como uma associação de investidores - podem ser boas opções. - - Este tema será tratado na disciplina Aspectos Econômicos na Velhice, a ser oferecida no curso de especialização em Gerontogeriatria da Unilins, na modalidade semi-presencial, que está com matrículas abertas.
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