Fale Conosco: ramais | Mande um e-mail para UNILINS mensagem
você está em
Email FPTEIntranetÁrea Restrita
14 3533 3200
Ainda não sou aluno

 Selo Instituição Socialmente Responsável
Destaque
Aumentar tamanho da fonte Diminuir tamanho da fonte Versão para Impressão
Estudantes compram tarefas pela internet
Estudantes compram tarefas pela internet
05/06/2005
Folha de São Paulo
Imagem:
 
Alegando falta de tempo e até incapacidade dos professores, alunos encomendam de monografias a teses Trabalhar durante o dia, estudar à noite e reservar o fim de semana para a elaboração de tarefas escolares. Com a internet, essa equação, antes tradicional entre universitários, vem sendo mudada por alguns estudantes. Para garantir notas altas e o período de descanso intacto, há quem contrate serviços de um "ghost-writer" (escritor-fantasma, em inglês), que faz a pesquisa, redige o texto e cobra por isso. "Não teria tempo para fazer uma parte do meu trabalho de conclusão de curso", alega o administrador P.J.A., 26. Com a ajuda de um colega que, na época, estava desempregado, finalizou sua graduação a tempo. Hoje, cursando mestrado, diz que não cogita pagar pela dissertação. "Aquele foi um caso atípico." Tomar para si a autoria da obra de outro é crime. "Por lei, não se podem ceder direitos de autoria", explica a presidente da Comissão Especial de Propriedade Imaterial da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo. Os incautos estudantes podem ser enquadrados por falsidade ideológica. "O acusado pode ter de fazer trabalhos comunitários", ressalta a presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo, Vitória Nogueira. O risco de ser pego em flagrante pelos professores não intimida o universitário J.R., 28, que utiliza o serviço de empresas especializadas até nos trabalhos em grupo. Pelos colegas, conheceu os "benefícios" de um site de tarefas escolares. Com R$ 39,90 por ano, o aluno tem direito a consultar -e a copiar- 150 textos ao mês entre os mais de 13 mil disponíveis. Há pouco tempo, na porta da faculdade, recebeu um panfleto com propaganda sobre serviços de elaboração de monografias. "Agora, pagamos a uma pessoa para que ela faça toda a pesquisa e elabore o texto", afirma. A qualidade do serviço é assegurada: "Ela é professora universitária". Culpa do professor - Trinta e cinco reais. Esse foi o montante pago pela matemática G.A.V., 24, no ano passado. "O professor tinha boa vontade, mas era ruim mesmo, não tinha didática", explica a profissional. Como muitos não haviam obtido boas notas, tiveram de entregar um trabalho com base em uma lista de exercícios. Os colegas de turmas mais veteranas socorreram. Todos foram aprovados. Mas nem tudo é tão simples no mercado de monografias. Alguns educadores estão atentos a trabalhos comprados pela internet. É o caso do professor da UnB (Universidade de Brasília) Carlos Pio, que, há três anos, desconfiou de um texto "muito bom e sem nenhuma referência bibliográfica". Apelou para a internet: digitou algumas palavras e chegou a páginas com o trabalho. Além de reprovados, os alunos foram expulsos do curso de pós-graduação. Recorreram à Justiça e perderam em todas as instâncias. "Parei de dar trabalhos no curso. Agora, todas as avaliações são feitas por meio de provas", conta. Fraude é caso para expulsão do curso A maior pena para quem for pego com trabalho comprado está longe de ser o trabalho comunitário. Há casos em que é preciso arcar com a expulsão da faculdade. Neste ano, na Universidade Metodista, dois alunos -mestrando e doutorando- tiveram seus laços com a entidade rompidos assim que a fraude foi comprovada."Havia a cópia de um texto na dissertação do mestrando. Descobrimos porque o autor estava na banca avaliadora", conta o diretor da Faculdade de Comunicação Multimídia, S ebastião Squirra. Segundo ele, é mais fácil identificar a autoria da redação em cursos de especialização: "Na graduação, há muitos alunos". A jornalista L.V., 23, contou com a ajuda materna para finalizar seu projeto de conclusão de curso. "Minha mãe escreveu sobre comunismo e meios de comunicação. Só tive que digitar." Segundo ela, o professor fez algumas perguntas sobre o tema quando entregou o texto. "Fui aprovada. Acho que ele nem leu." O método mais utilizado para confirmar a autoria do trabalho é a busca na internet. "Por isso alguns alunos têm adotado sinônimos para impedir que sejam descobertos pelos professores ao procurarem pelo texto na rede", sinaliza Persio Nakamoto, professor da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Há propostas para coibir o plágio ou o uso de serviços de "ghost-writers". "Se as entidades de classe mantivessem um mecanismo de controle desse tipo de fraude, a atividade seria coibida", defende Cleunice Bastos Pitombo, do IBCcrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais). (RB) Comércio de teses torna-se fonte de renda Profissionais que oferecem serviços chegam a faturar R$ 10 mil por mês; atividade é considerada ilegal Pesadelo para muitos professores, a elaboração de monografia é o ganha-pão de profissionais que vêem nela uma das formas para garantir renda extra ou até mesmo fugir do desemprego. O administrador de empresas Reinaldo Silva, 39, só investiu em teses quando sua empresa de informática faliu, em 1999. "Até o fim do ano, pretendo viver apenas com o meu trabalho como consultor na área empresarial", projeta. "Não é uma atividade ilegal. Mas também não acho certo fazer teses para os outros." Para o professor de direito da PUC-SP José Roberto Gusmão, o autor do texto pode responder por falsidade ideológica. "Ainda que a pessoa diga que fez apenas um levantamento bibliográfico para o estudante, o anúncio na internet confirma que se trata de elaboração de monografias e de teses. Isso é ilícito", analisa. Financeiramente, a elaboração de monografias parece ser atrativa. A página chega a custar mais de R$ 20. Alguns profissionais oferecem trabalhos a um valor predeterminado, que passa de R$ 1.500, conforme o tema. Em média, os ganhos variam de R$ 4.000 a R$ 6.000 por mês. Nas épocas de muita procura, como nos fins de semestre, esse montante pode ultrapassar R$ 10 mil. Há 12 anos, quando os dividendos com os trabalhos escolares superaram os do emprego em uma multinacional, a contadora Cláudia Galo, 31, passou a se dedicar somente às monografias. Mas viver de teses e dissertações não é o sonho da atual estudante de direito. "Vou me formar neste ano e quero advogar", planeja. "Ganharei experiência para iniciar o mestrado e, mais tarde, lecionar", diz Galo, que ainda não começou a planejar seu próprio trabalho de conclusão de curso. Incluir o trabalho atual no currículo pode inviabilizar as chances de conquistar um emprego em outra área. "A maioria dos selecionadores questionaria o profissional caso ele citasse que elaborava monografias para estudantes de graduação", estima a gerente de recrutamento e seleção da consultoria Manager, Neli Barboza. Segundo ela, a elaboração de trabalhos escolares com fins comerciais não é bem-visto no mercado. "[Fazer monografias] mostra uma flexibilidade de valores. Se a pessoa abriu essa exceção uma vez, quem garante que não fará isso novamente?", questiona. Psicologia do trabalho - Para a atriz A.B., 27, a atividade de monógrafa começou por acaso. No último ano de artes cênicas, teve de elaborar relatórios de trabalho. Começou com o seu e ajudou a digitar os dos colegas. Em 1998, quando ficou desempregada, passou por faculdades da zona sul de São Paulo com panfletos em que oferecia seus préstimos de digitadora. "Não sabia que esse era um termo usado pelas pessoas que fazem monografia para divulgar seu trabalho." Começou a receber telefonemas de alunos, solicitando pesquisas e teses de mestrado. "Fiz até trabalho sobre inseminação artificial." Entre tantos temas sobre os quais se debruçou, a atriz gostou de psicologia. Passou no vestibular e está no terceiro ano da graduação. Mas não saiu distribuindo currículos. Prestou concurso público e já trabalha na área. "Hoje, quero saber apenas de recursos humanos. Não recebo mais dinheiro para fazer trabalhos. Estou preocupada apenas com os que tenho de fazer para a universidade", conta. (RB) Empresas são encontradas até em murais de faculdades Uma vasculhada na internet evidencia a popularidade de empresas especializadas em elaboração de monografias, dissertações e teses. Há centenas de sites com os serviços de "ghost-writers". Em alguns casos, essas páginas foram agrupadas em diretórios; em outros, ligam-se a links patrocinados -basta que o usuário digite uma palavra como "tese" para o endereço do site aparecer."A internet evidenciou o que já existia", afirma Sebastião Squirra, da Universidade Metodista. A atividade ultrapassa os limites do mundo on-line. Recomendação de colegas, panfletos nos murais das escolas e até indicação de professores levam alunos às portas desses profissionais. A reportagem da Folha percorreu os corredores de cinco faculdades da USP e em todas havia propagandas que ofereciam os serviços. Ainda que moralmente questionável, essa é uma atividade concorrida. É preciso lidar com aqueles que apenas copiam o texto da internet e, por isso, cobram bem menos do que quem se dedica à pesquisa bibliográfica, à estruturação da obra, à redação do texto e à revisão do material. Um dos sites mais populares entre alunos não traz material inédito, mas é abastecido pelos próprios estudantes, que cedem seus trabalhos para concorrer a aparelhos de DVD, discmen e telefones. "Distribuímos o artigo entre três pesquisadores para que não haja a possibilidade de ele ser revendido. Isso pode dar cadeia", diz a estudante Michele Abreu Azevedo, 28, sócia de uma empresa de elaboração de monografias com 27 colaboradores em todo o Brasil. "A revenda de trabalho leva o profissional à prisão", afirma. Capricho demais também pode pôr tudo a perder. "Pedimos para que o aluno nos envie alguns textos produzidos por ele. Dependendo da qualidade deles, colocamos alguns erros gramaticais, para que não haja desconfiança", explica Ben Hur Smeha, 42.
© UNILINS - Centro Universitário de Lins • Av. Nicolau Zarvos, 1925 - Jardim Aeroporto - CEP 16401 371 - unilins@unilins.edu.br - 14 3533 3200 - Lins/SP