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Mulher – (sob o tema de 2010 - Juntas marcharemos até todas sermos livres)
08/03/2010
Profa. Maria Emilce Ferreira Villela Pastorello
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Livres por dentro, que é a forma essencial de ser livre. Livres por viver de modo coerente com as idéias que pregamos e divulgamos. Ser livre, às vezes, é nos ajustarmos ao não-ser livres por algum tempo, preparando-nos e aguardando o momento certo para nos impormos. Escolher a hora de não nos expormos, de não nos tornarmos vulneráveis à mágoa que pode vir nas mais diversas formas. Ser livre para ser feliz e dar risadas – aceitando com paz interior o corpo atual; alguns vincos no rosto, marcas que só a experiência de uma vida traz. Serena e madura diante de contrariedades palatáveis, e uma fera se vir sua dignidade ser ameaçada. Livre para ter muitos filhos, adotar algum ou não ter nenhum – para se dedicar ao próximo ou centrar seu foco na própria carreira, na ascensão profissional. Para depender intrinsecamente de si mesma e não usar o outro como bengala psicológica para causas não resolvidas. Para se expor ou se retrair – ficar nos bastidores ou atrair os holofotes – Escalar saltos arrepiantes ou arrastar rasteirinhas, unhas sem esmalte, num andar dengoso. Pijaminha de flanela, meias sobrando nos pés; calça desbotada, bermuda desfiada, camisola transparente, de assobiar. Ser livre – poderosa, dispensar as grifes para provar personalidade a ninguém – Para chorar por animais ameaçados ou atacar com unhas e dentes na defesa dos ideais. Para suar na academia, girar na dança de salão; fritar pastéis para a família; passar dois dias preparando uma feijoada. Sair com flor no cabelo, tomar cerveja sem par. Entrar no chuveiro para tirar o horror da fumaça da boate dos cabelos na madrugada e sair inteira, charmosa, cheirosa e se espiar no espelho e rir sozinha dos seus próprios pensamentos não compartilhados. Rir de si mesma e continuar leal a quem ama e ao que acredita, porque os motivos para isso não se perdem. Não tem que ser diferente nem tem a quem copiar – escrever as regras às quais se submete, o restante é para conviver em sociedade. Sentir-se o mastro principal do Cirque du Soleil e sumir no quintal; mandar dizer que não está, para não ser entrevistada. Mulher – plenamente feliz por sê-la – aceitando as dúvidas, as encruzilhadas das decisões - a manhã, a noite e o entardecer – a respiração contida diante das inúmeras possibilidades do futuro iminente ou não. Liberdade conquistada, porque liberdade não é coisa dada. Ser natural, ser gente, ser livre e coerente. Você pode e não tem que se desculpar por nada.
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