|
Livres por dentro, que é a forma essencial de ser livre.
Livres por viver de modo coerente com as idéias que pregamos e divulgamos.
Ser livre, às vezes, é nos ajustarmos ao não-ser livres por algum tempo, preparando-nos e aguardando o momento certo para nos impormos. Escolher a hora de não nos expormos, de não nos tornarmos vulneráveis à mágoa que pode vir nas mais diversas formas.
Ser livre para ser feliz e dar risadas – aceitando com paz interior o corpo atual; alguns vincos no rosto, marcas que só a experiência de uma vida traz.
Serena e madura diante de contrariedades palatáveis, e uma fera se vir sua dignidade ser ameaçada.
Livre para ter muitos filhos, adotar algum ou não ter nenhum – para se dedicar ao próximo ou centrar seu foco na própria carreira, na ascensão profissional.
Para depender intrinsecamente de si mesma e não usar o outro como bengala psicológica para causas não resolvidas.
Para se expor ou se retrair – ficar nos bastidores ou atrair os holofotes –
Escalar saltos arrepiantes ou arrastar rasteirinhas, unhas sem esmalte, num andar dengoso.
Pijaminha de flanela, meias sobrando nos pés; calça desbotada, bermuda desfiada, camisola transparente, de assobiar.
Ser livre – poderosa, dispensar as grifes para provar personalidade a ninguém –
Para chorar por animais ameaçados ou atacar com unhas e dentes na defesa dos ideais.
Para suar na academia, girar na dança de salão; fritar pastéis para a família; passar dois dias preparando uma feijoada. Sair com flor no cabelo, tomar cerveja sem par.
Entrar no chuveiro para tirar o horror da fumaça da boate dos cabelos na madrugada e sair inteira, charmosa, cheirosa e se espiar no espelho e rir sozinha dos seus próprios pensamentos não compartilhados.
Rir de si mesma e continuar leal a quem ama e ao que acredita, porque os motivos para isso não se perdem.
Não tem que ser diferente nem tem a quem copiar – escrever as regras às quais se submete, o restante é para conviver em sociedade.
Sentir-se o mastro principal do Cirque du Soleil e sumir no quintal; mandar dizer que não está, para não ser entrevistada.
Mulher – plenamente feliz por sê-la – aceitando as dúvidas, as encruzilhadas das decisões - a manhã, a noite e o entardecer – a respiração contida diante das inúmeras possibilidades do futuro iminente ou não.
Liberdade conquistada, porque liberdade não é coisa dada.
Ser natural, ser gente, ser livre e coerente.
Você pode e não tem que se desculpar por nada.
|