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BRASÍLIA - O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) divulgou nesta quarta-feira o resultado da maior pesquisa já feita em um país sobre o uso do sofware livre (SL) - programas de computador que não precisam ser comprados, como os da Microsoft.
Segundo a pesquisa, feita por especialistas da Unicamp e da empresa Brasilian Software (Softex), dos mais de seis mil entrevistados, 53% dos usuários são grandes empresas, das quais 64% têm faturamento anual acima de R$ 1 milhão. Nos órgãos públicos a utilização do software livre representa 13% e em universidades, 10%.
Uma das razões pelas quais o governo aposta no desenvolvimento de programas de software livre no país é que são gastos por ano US$ 1 bilhão no pagamento de direitos autorais sobre software. Segundo dados do IBGE, o mercado do sofware no país chega a R$ 20 bilhões (cerca de US$7 bilhões), sendo que a receita operacional de empresas de informática é algo em torno de R$ 17 bilhões.
- O estudo veio trazer uma contribuição qualificada sobre a discussão do software livre. Agora podemos ver oportunidades de negócio e de mercado - disse Marcelo Lopes, secretário de Política da Informática do MCT.
A pesquisa é abrangente. Foram ouvidos empresários, prefeituras, governos municipais e estaduais, universidades e outros. Em relação às prefeituras, o estudo detectou que das mais de 5.500 existentes no país, apenas 60 têm experiência com sofware livre. O documento ressalta a importância de os municípios passarem a ser usuários destes programas para avaliar e fazer prestações de contas, entre outros.
Segundo Marcelo Lopes, a pesquisa teve o papel de desfazer mitos, tanto em relação aos que usam o sofware livre como no que se refere a quem desenvolve os programas. Uma das constatações é que as pessoas que desenvolvem programas de software individuais não são apenas garotos e nem necessariamente hackers.
O estudo mostra ainda que os países periféricos como o Brasil têm se inserido especialmente nas atividades de suporte e gerenciamento dos sistemas e programas, num mundo onde o mercado é dominado pelos países da Europa, Estados Unidos e Japão.
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