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Resumo da vida acadêmica e profissional de Carlos Alberto Ribeiro, Nº 667 da EEL (1969 a 1973).
Em 1969 prestei vestibular para a EEL, em São Paulo, nas dependências de um colégio localizado na Vila Mariana. Na época, não conhecia a cidade de Lins, mas estava convencido por alguns amigos da minha cidade, Santos, e que já eram alunos da EEL, que valia a pena cursar e me formar nessa “excelente faculdade”. Não estavam equivocados.
A minha vida acadêmica começou com uma viajem de ônibus pela empresa Reunidas, de São Paulo a Lins, com alguns amigos de Santos, que também tinham passado no vestibular. Eram eles: Eduardo Ragazzi, João Carlos Pintassilgo (passarinho) e Marcos Edmundo Lopes (bicudo).
Chegando a Lins no final da madrugada dos primeiros dias de janeiro de 1969, fomos diretamente a EEL, fizemos nossa matrícula e imediatamente formamos a nossa primeira república, em uma humilde casa, situada na parte baixa da cidade, na Rua Paulo Giraldi, ao lado de uma chácara onde, em algumas oportunidades, comprávamos e também durante a noite nos apropriávamos (sem o conhecimento dos proprietários), de verduras para as nossas refeições.
Passei para o segundo ano da faculdade sem dificuldades de aprendizagem.
Em razão das condições precárias da nossa república, nos mudamos para outra situada no centro da cidade perto do Hotel Lins, onde se incorporaram Carlos Gonçalves Ferreira (Carlão), Celso D’Incao (Celsão) e Luis Schmidt. Nessa república vimos o Brasil ser campeão na Copa de 70, em uma televisão “branco e preto” que compramos com uma vaquinha que fizemos.
Morávamos bem em frente à uma enorme academia de bilhar. Jogávamos todos os dias. Comecei a ter problemas com as notas no segundo ano e as coisas se complicaram mais, no terceiro.
Nos separamos, cada um de nós indo morar em distintas repúblicas. Eu fui para o alojamento da Faculdade, pensando que aí recuperaria as minhas notas rapidamente, pois acreditava que, dentro da faculdade, não faria outra coisa além de estudar. Equivoquei-me, pois, com os outros companheiros que ali moravam, jogava cartas todos os dias.
A minha recuperação aconteceu verdadeiramente com a ajuda do meu inesquecível amigo Carlão (669), que me tirou desse antro e me levou para morar na sua república, que coincidentemente ficava na Rua Paulo Giraldi, só que na parte alta, pertinho do Cine Lins. Aí passei a conviver novamente com o Celsão e os novos companheiros, Nivaldo Grazon, Antonio Franco e Celso Humberto, de Araçatuba (Celsinho). Quase não íamos ao cinema, pois aí se estudava de verdade. Foi assim que consegui a minha recuperação nos estudos, logrando formar-me em cinco anos, na turma de 1973.
Jamais esqueço da minha árdua luta com a matéria Mecânica dos Fluidos, ditada na época pelo emblemático Professor Casadei, matéria que me causou tanto trauma, e que até os dias de hoje por incrível que pareça, ainda me faz ter pesadelos durante a noite, quando sonho que estou fazendo uma prova ou exame dessa matéria.
Foram anos inesquecíveis. Estudávamos em uma faculdade séria e exigente, dotada de ótimos e dedicados professores, sendo que, grande parte deles, semanalmente, vinham de São Paulo para dar aulas.
Muitos foram os companheiros que iniciaram comigo os cursos de engenharia civil e elétrica, mas poucos terminaram. Da minha turma de 1973, dos 220 que iniciaram, 21 foram os afortunados que conseguiram formar-se em cinco anos. Um dos sintomas da exigência característica da faculdade.
Nem tudo foi sacrifício. Houve também muitos bailes, algumas namoradas, muitos jogos de futebol de salão (inter-republicas), de futebol, com a seleção da EEL, algumas farras e bagunças na cidade (sem causar maiores problemas)... muita cerveja no famoso “Boliche” e “baurus” no Bar do Bira. Essa época, sem sombra de dúvida, foi a melhor da minha vida. Não tínhamos maiores preocupações além de estudar. Vivíamos em uma tranqüila e boa cidade, onde contávamos com o carinho da população, embora a saudades nos contagiasse permanentemente, pois estávamos longe das nossas cidades e famílias. Éramos muito felizes e não sabíamos.
Não me foi possível estar presente nas comemorações do aniversario dos 30 anos da nossa Turma de 73 em outubro de 2003, mas consegui reunir-me com parte desses inesquecíveis amigos, em Lins, em Santos, em São Paulo e em algumas outras cidades do interior do Estado, em dezembro de 2003, quando estive de férias no Brasil. Foi um momento inesquecível e de grande emoção para mim.
Lamentavelmente, vivendo aqui na Venezuela desde 1987, as dificuldades para rever o pessoal são muitas, embora, com a internet, agora posso minimizar essa saudade “encurtando” as distâncias.
Cursando o final do 5º ano, antes mesmo de me formar, recebi um primeiro convite para trabalhar como engenheiro civil, na empresa Passarelli & Neves, onde iniciei a minha atividade como engenheiro civil na cidade de Santos.
Posteriormente trabalhei em duas outras empresas de Santos e em São Paulo, como residente em construção de edifícios e obras industriais. De 1987 a 1997, trabalhei em duas fábricas petroquímicas da Ultrafértil (Petrobrás), localizadas na cidade de Cubatão, período dedicado a várias atividades: projetos de engenharia, execução de obras industriais, planificação e manutenção de plantas petroquímicas. Foi nesse período que passei a adquirir conhecimentos na área eletromecânica industrial.
Nas minhas primeiras férias como profissional, em 1978, em uma viajem que fiz à Europa, conheci a minha esposa venezuelana Yvonne, na cidade de Madri. Nos casamos em 1980, estivemos morando em Santos até 1987, e desde essa época resido com a minha família em Caracas, Venezuela. Temos dois filhos: José Manuel com 22 anos, nascido em Santos, e Carla, com 16, nascida em Caracas.
Chegando à Venezuela, tive que reiniciar a carreira como engenheiro em um país estrangeiro, coisa nada fácil, pois tudo é distinto: idioma, costumes, etc., embora com uma cultura algo parecida com a nossa.
Rapidamente consegui trabalho na empresa ALSTOM (www.alstom.com), que desde janeiro de 2004 passou a denominar-se AREVA (www.areva.com), ambas multinacionais francesas.
Comecei a trabalhar como um “todeiro”, em projetos diversificados de engenharia, que iam desde sistemas contra incêndios em edifícios e obras industriais, até à construção de turbinas de geração de energia, etc. Fazia de tudo, desde a planificação e execução, até a administração dessas obras. Paralelamente, participei de vários cursos de capacitação, tanto na área técnica, como nas áreas de gerência e idiomas, todos apoiados pela organização onde trabalho.
Na Venezuela, para poder exercer a minha atividade profissional, fui obrigado a revalidar o meu diploma, oportunidade em que contei mais uma vez com um grande apoio da empresa onde trabalho. Atualmente exerço o cargo de Diretor de Projetos civil-eletromecânicos, na divisão de Transmissão e Distribuição de energia, cujos principais projetos e obras que estão atualmente sob a minha responsabilidade, são linhas de transmissão de alta tensão, construção e ampliação de subestações de energia de 800/400/230/115kV.
Concluindo este resumo da minha vida acadêmica e profissional, envio a toda coletividade de jovens que atualmente cursam a Unilins, a minha mensagem de otimismo para que não desperdicem a oportunidade universitária que estão desfrutando. Em pouco tempo, todos serão profissionais formados em uma Universidade séria e respeitável. Posteriormente se darão conta do que isto significa.
Agradeço a todos os meus ex-professores, amigos e companheiros de turma, por toda a ajuda e amizade que recebi durante os meus anos de EEL e que, de uma ou outra forma, venho recebendo até os dias de hoje, ajuda sem a qual não teria percorrido a trajetória descrita anteriormente.
Em particular agradeço à Unilins, por esta oportunidade que me possibilita acercar-me de todos, mesmo que seja através destas simples palavras.
Caracas, 30 de janeiro de 2005.
Carlos Alberto Ribeiro
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