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Em todo o Brasil, a expressão "colocar o bode da sala" significa arranjar um problema. Na região sisaleira da Bahia, é justamente o contrário. Foi depois da implantação de um projeto chamado "Cabra -Escola" que alguns milhares de crianças puderam deixar de trabalhar em atividades perigosas para voltar a estudar e resgatar as chances que têm de tentar fugir do destino revelado pelos números do Unicef.
A idéia, simples e original, foi implantada em 1996. O Movimento de Organização Comunitária (MOC) seleciona famílias com crianças em idade escolar que vivem em propriedades de pelo menos três hectares na área rural de seis municípios da região semi-árida baiana. Cada uma recebe um financiamento de R$ 1.100 para comprar um bode e cinco cabras em uma feira organizada pelo MOC e pela Pfizer, atual patrocinadora do projeto.
Além disso, o proprietário recebe apoio de técnicos agrícolas para montar uma infra-estrutura na propriedade, com cercas, plantação de palma para alimentar o animal e estrutura de captação de água. A lógica do projeto é que a produção de leite e carne gere renda suficiente para a família se sustentar, sem ter de colocar os filhos para trabalhar com sisal ou em pedreiras da região.
"Em dois anos, a renda pode aumentar em R$ 80 por mês com a venda de leite e carne", explica Naidison Batista, secretário-executivo do MOC. "É o mínimo do mínimo, mas ajuda bastante." A maioria das famílias já recebe dinheiro do Bolsa-Escola, mas nem todas conseguiam manter os filhos na escola. (L.L.)
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