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Uma das variáveis macroeconômicas que mais influenciam a demanda de engenheiros é, na linguagem dos economistas, a taxa de investimentos em capital fixo.
É a proporção do Produto Interno Bruto (PIB) constituída de máquinas, equipamentos, edifícios, fábricas, fazendas, escolas e outros bens capazes de gerar produção adicional, na forma de mercadoria ou serviços. Tanto a produção dos bens de capital como seu uso no processo produtivo demandam mais engenheiros nas suas várias especialidades.
No Brasil essa taxa de investimentos está aumentando, e ao mesmo tempo sobe a já existente capacidade produtiva da economia, o que também eleva a demanda desses profissionais.
Isso pode ser percebido nas estatísticas do IBGE, relativas ao ano de 2006. Elas mostram uma taxa de investimento de 16,5% do PIB, um valor muito baixo se comparado ao de países como a China e Índia, que mostram taxas próximas de 40% e 30%, respectivamente, e por isso mesmo crescem bem mais que o Brasil.
De qualquer forma, a taxa de investimento brasileira deve mostrar resultado melhor em 2007, que estimo em 17,5% do PIB. Pode parecer pouco, mas mais 1% do PIB equivale a investimentos no valor de R$ 25 bilhões, um valor considerável.
MAIS COM OS MESMOS
Quanto aos investimentos do passado, que com os mais recentes constituem a capacidade produtiva do país, estatísticas divulgadas no último dia 6 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostraram que nesse setor o uso dessa capacidade alcançou o nível recorde de 82,4% no terceiro trimestre deste ano, relativamente a igual período do ano passado. É um resultado só alcançado nos dados da CNI em 2004, quando o PIB brasileiro cresceu 5,7%, uma das melhores taxas desde 1980.
Entre os setores com maior uso de capacidade estão os de metalurgia, refino de petróleo e álcool, veículos automotores, e máquinas e equipamentos, onde é forte a demanda de engenheiros.
Dados de agosto, também da CNI, revelam percentuais altos de empresas industriais que enfrentam dificuldades na contratação de pessoal qualificado, o que inclui engenheiros.
Entre os percentuais mais elevados estão os das indústrias de metais (60,6%); veículos automotores (68,7%); máquinas e equipamentos (70,3%); outros equipamentos de transporte (71,4%); indústrias extrativas , que incluem minérios e petróleo (71,4%), e usinas de álcool. São ramos industriais que coincidem com os citados anteriormente ao nos referirmos à capacidade produtiva do País.
No setor de serviços, dados do segundo trimestre deste ano, os mais recentes de acordo com o IBGE, mostraram que os de informação, conhecidos pelas suas modernas tecnologias de informação e comunicação (TICs), intensivas no uso de engenheiros, é um dos que mais cresceram, com uma taxa de 7,5% relativamente ao mesmo período de 2006.
O QUE NÃO MUDA
O que esses dados indicam é um aumento da demanda de engenheiros como tais, ou seja, em ocupações consideradas típicas de sua profissão. O que não muda é que os engenheiros são também demandados em ocupações consideradas atípicas, como serviços financeiros, tarefas administrativas e cargos governamentais como os de fiscalização tributária.
Isso porque sua formação privilegia o estudo em tempo integral, o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático, o preparo e a execução de projetos e, de um modo geral, a solução de problemas, gerando habilidades de interesse de empregadores dos mais diversos setores.
Assim, uma vez que os investimentos e o maior uso da capacidade produtiva ocorrem também em muitos outros setores além dos mencionados, conclui-se que os profissionais de engenharia estão em alta no mercado de trabalho.
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