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Cursos de pós-graduação abrem novos horizontes de atuação para profissionais de todas as áreas
O cenário atual mostra que o ensino superior não tem conseguido acompanhar as novas demandas do mercado de trabalho e também as exigências cada vez maiores das empresas no que se refere ao preparo dos candidatos. Ao mesmo tempo, a competição acirrada entre aqueles que disputam uma vaga no mercado ou os que já estão trabalhando e buscam a ascensão profissional contribui para o aumento na procura por cursos de pós-graduação, sejam eles stricto sensu (que levam aos títulos de mestre e/ou doutor) ou lato sensu (de especialização) e os tão falados MBAs (Master in Business Administration). Se a opção por uma educação continuada parece, em princípio, apenas um valor agregado para o currículo, o caso de Sérgio Mesti Samorano, 45 anos, mostra que a ascensão profissional está necessariamente ligada ao investimento que se faz na própria formação. No início da década de 80, Samorano cursava Economia nas Faculdades Santana, em São Paulo, quando trabalhava no Banespa. Teve de interromper os estudos ao se transferir para o Banco do Brasil e assumir uma agência do banco no interior do Paraná, em Telêmaco Borba, que, à época, não dispunha de escolas de nível superior. Seis meses depois, foi transferido para outra cidade, Castro, também sem faculdades. O município mais próximo que oferecia alguma instituição de ensino superior era Ponta Grossa. "Mas, naquela tempo, ‘quem estudava não estava muito interessado no emprego’, só queria fazer da empresa um trampolim. Era um pensamento comum no mercado. O profissional se fazia pela sua prática", recorda. Em 1991, Samorano voltou para São Paulo e, quatro anos depois, foi chamado para trabalhar num departamento na direção-geral do Banco do Brasil, em Brasília. "Até ali, tudo pela experiência profissional, nada de conclusão de estudos." Em 1995, houve uma reestruturação e Samorano foi convidado a integrar a controladoria, uma área que ele classifica como "bastante técnica". Nessa época, um gerente não o promoveu pelo fato de Samorano estar com a graduação interrompida. "‘Como é que pretende uma ascensão profissional sem a devida qualificação acadêmica?’, me perguntou, sendo que ele possuía mestrado em Estatística e estava concluindo o MBA em Controladoria", lembra Samorano.
Foi assim que, aos 38 anos, ele teve de voltar ao banco escolar para cursar Administração. Numa relação de confiança, conseguiu a promoção assim que se matriculou. Mas não sossegou. Concluiu o curso em 2000 e, imediatamente, emendou o MBA Controller, aproveitando o convênio mantido pelo banco com a Universidade de São Paulo. "Estudar é uma cachaça. A esperança de que o MBA abriria novas oportunidades profissionais era forte, praticamente todos os administradores do banco tinham ou estavam fazendo MBA", explica. Para Samorano, o MBA valeria por seu alto teor funcional, ao proporcionar um conhecimento mais focado nos negócios, ao passo que, na graduação, a visão é mais genérica. "Um curso de pós-graduação em Gestão Estratégica me permitiria ampliar o conhecimento em recursos humanos, administração estratégica, sistemas de informações, marketing e qualidade. Foi muito bom para unir ao técnico." Atualmente, ele é gerente da divisão de informações gerenciais da diretoria de controladoria do Banco do Brasil. "A função daquele meu gerente que não me promoveu, mas que abriu portas." Reciclagem – Seria um tanto simplista imaginar que a pós-graduação serve mais especificamente como aliada para uma estabilidade profissional ou de evolução de cargos dentro de uma mesma empresa, como ocorreu com Samorano no Banco do Brasil. Há casos e casos. Rosimeire Luna, graduada em Comunicação Social, é a típica profissional free-lancer. Atuou em diversas atividades ao longo da vida e adora essa trajetória mambembe. Só recentemente, depois de anos trabalhando com marketing cultural, produção artística e organização de eventos, descobriu que a área audiovisual – TV e cinema – era a que mais a interessava. Foi assim que decidiu voltar aos bancos escolares, em busca de uma especialização. "Sempre gostei de cinema e tive até um vídeo premiado quando ainda era estudante na PUC-Campinas. Depois fui apertando o cerco no sentido de focar minha área de interesse principal e vi que seria muito importante reciclar os conhecimentos – uma passagem na pós seria bem-vinda", explica Rosimeire, que optou pelo Programa de Pós-Graduação em Multimeios, da Universidade de Campinas (Unicamp). Atualmente, ela é produtora executiva de um programa de TV, em Campinas. "Aquela coisa de Glauber Rocha, ‘uma câmera na mão e uma idéia na cabeça’ não funciona se você não tiver conhecimento teórico e prático. Para isso a saída é estudar e fui fazer uma matéria de cinema e história na Unicamp", completa.
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