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Quando o assunto é gravidez na adolescência, em geral pouco se fala do pai - ele é tratado como intruso nesse universo, mesmo que sejam os parceiros da empreitada. "A participação do homem na criação dos filhos pode ser uma experiência positiva para a criança e, principalmente, para o próprio homem", diz Benedito Medrado, psicólogo social e coordenador do Instituto Papai, de Recife (PE).
O debate, segundo ele, é um canal propício para o casal estabelecer relações mais igualitárias, a começar pela divisão das responsabilidades relacionadas ao cuidado infantil, ainda que não estejam vivendo juntos. Medrado acredita que uma maior participação dos homens nos cuidados com seus filhos pode dinamizar as relações de gênero. "Ao observar o comportamento de seus pais nessas atividades, as crianças aprendem e ampliam seus repertórios a respeito dos papéis masculino e feminino."
"No começo, tive receio de pegar uma criança tão frágil", conta Arthur, 17 anos. "Achava que só a mãe saberia como fazer isso direito. Mas foi uma experiência emocionante. Estou muito feliz de ter a chance de aprender a compreender as expressões da minha filha", confirmando a tese de Medrado. Outro projeto que tenta diminuir a diferença entre meninos e meninas funciona em Mucuripe, área de maior concentração do turismo sexual de Fortaleza (CE), e da Favela do Dendê, onde o risco social aumenta com o tráfico de drogas.
São desses locais que saem os alunos da Edisca (Escola de Dança e Integração para Criança e Adolescente). Ali, a arte de dançar é ensinada de forma diversificada aos 400 meninos e meninas do corpo de baile. O resultado é apresentado em conjunto. A igualdade transparece nos relatos, que são vários, mas comuns a todos.
"A Edisca tiraa gente da rua", diz Walter, 17 anos. Dos 113 bairros de Fortaleza, 87 têm comunidades faveladas. Só no Conjunto Palmeiras e no Grande Bom Jardim, são cerca de 200 mil habitantes, dos quais 80% sobrevivem com renda familiar que não chega a dois salários mínimos. Os favelados representam quase 25% da população - exatamente o público-alvo da Edisca.
Além das 400 crianças e adolescentes que atende diretamente, a Edisca assiste suas famílias (num total de mais de 2.300 pessoas em 2002), oferece educação formal e reforço escolar, prepara para o mercado de trabalho e garante tratamento médico, patrocina medicamentos e garante refeições diárias. A empreitada conta com parcerias o Instituto C&A, Banco Mundial, Danone, Unesco, Unicef. (S.T.)
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