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O crescimento da economia no Brasil mudou o mercado de trabalho, principalmente para um setor: a construção civil. Faltam engenheiros. Há empresas importando, treinando e brigando para não perder o profissional.
A profissão de engenheiro civil andava em baixa, com o mercado saturado de profissionais.
Mas, com a expansão do crédito para a casa própria e principalmente com o crescimento no número de obras públicas, esta situação mudou rapidamente. Hoje, as empresas já começam a assediar o engenheiro antes mesmo de ele levantar do banco da faculdade.
A construção tem pressa. Quando o prédio ficar pronto em outubro a equipe vai para outra obra. Trabalho não vai faltar. A engenheira civil Paula Trevisioni acabou de sair da faculdade. Contratada por uma das maiores construtoras do país, assumiu responsabilidades e está colocando em prática tudo o que aprendeu.
“Três anos atrás, quando meus colegas se formavam, era um pouco difícil a colocação no mercado de trabalho. Alguns engenheiros partiam para banco, área financeira. Hoje em dia isso não é mais visto. Todas as pessoas que estão se formando são colocadas no mercado de trabalho rapidamente, na área de engenharia civil mesmo”, compara Paula Trevisioni.
A empresa que constrói o prédio de 32 andares em São Paulo é um dos maiores exemplos da falta de engenheiro civil. Ela está contratando e treinando profissionais de outros estados. A única exigência é que tenha diploma de engenharia.
A diretora de recursos humanos, Thaís Bortolotto, diz que, diante da escassez de profissionais no mercado, teve de aprender a lidar com o assédio aos engenheiros da empresa.
“A gente investe muito nesses profissionais. Se a gente preparou, quer que tragam resultados e mostrem resultados. Não faz sentido perder depois que preparou e formou”, aponta Thais Bortolotto.
Mas não é só na construção civil que faltam engenheiros. Empresas de vários setores da economia estão vendo na mão-de-obra especializada garantia de qualidade para produtos e serviços.
“Temos a indústria em geral. O empresário brasileiro está começando a aprender a exportar. Para isso, está capacitando em processos, serviços e produtos. Isso faz com que procure um engenheiro para poder inovar”, explica Balmes Vegas Garcia, do Conselho Regional de Engenharia de São Paulo.
A cada R$2 milhões investidos em estradas, um engenheiro é contratado. Só por conta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal o país precisaria hoje de 20 mil engenheiros para tocar as obras.
“Vai faltar engenheiro e muito. É preciso tomar ações urgentes, sobretudo de recuperar aquele engenheiro que saiu da profissão. Já temos exemplo de empresas que estão importando engenheiros para resolver seus problemas”, aposta José Roberto Cardoso, da Escola Politécnica da USP.
“O pessoal do RH de todas as empresas pede para indicarmos alguns colegas, mesmo pessoas que já estejam na faculdade para pegar o estagiário agora, formar, e depois ser efetivado. É muito interessante para as empresas”, conta Thaís Bortolotto.
E no canteiro de obras não cabe só engenheiro.
A formação de técnico em engenharia - ou técnico em edificações - vem de um curso de segundo grau. É o equivalente ao colegial técnico.
Há mais de 1,4 mil faculdades de engenharia no Brasil. Mas de todos os alunos que entram no curso, apenas 40% se formam. Se todas as obras previstas pelo PAC saírem do papel, vai faltar muito profissional. Seriam necessários 20 mil engenheiros em quatro anos.
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