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É safra de calouros. Passado o trote, é hora de pensar no que fazer daqui para frente, além de estudar. Nossa recomendação é que se considere seriamente a hipótese de buscar também o trabalho, no sentido de fazer algo de valor, não necessariamente econômico, além dos estudos e da diversão tão buscada pela juventude. Isso vale inclusive para os que não têm a necessidade de trabalhar em face da carência de rendimentos.
O objetivo é sempre o aprimoramento pessoal, inclusive na parte em que se relaciona com o que prega esta coluna. Ou seja, ser um bom profissional e buscar uma ocupação que traga satisfação.
APROVEITE AS ESCOLAS
Deve-se tirar o máximo proveito das escolas, bem além das aulas usuais. Nada de perder palestras, seminários e eventos do tipo, na própria ou noutras escolas. Vale também assistir, como ouvinte, aulas de outros cursos e faculdades. Há muitos eventos gratuitos e abertos no meio acadêmico. É preciso ser ousado na busca deles, sem vergonha de pedir acesso. Os nãos serão excepcionais.
Nesses eventos, procure o relacionamento com outras pessoas, estudantes ou profissionais, formando desde já o próprio networking ou rede de contatos. Prepare logo o cartão de visitas. Se o outro lado não tiver, anote as informações relevantes. Centros acadêmicos e associações atléticas são também saudáveis por suas próprias atividades e na formação desse networking.
Cuidado com a TV, grande consumidora de tempo e provedora de inutilidades. “O pior cego é o que vê TV”, disse certa vez o jornalista Paulo Francis. Os noticiários são importantes para ser uma pessoa bem informada, mas é preferível recorrer aos jornais escritos, com informações mais densas, que fortalecem o hábito da leitura e onde se aprende também a escrever. Como há muita informação, não deixe de lado os livros, nos quais se pode ir mais a fundo em qualquer assunto. Tirando o lixo que também oferece, a Internet, em particular os sites de busca, é muito útil para procurar, ampliar e aprofundar conhecimentos.
PENSANDO NO TRABALHO
Dependendo do tempo que tomar o curso mais essas atividades complementares, e particularmente depois da metade da duração dele, o trabalho deve ser buscado, mesmo se não remunerado. Pense não apenas em oportunidades, mas nos concorrentes. Não espere oferta de trabalho. Trate de buscá-lo.
Entrevistas e as tais dinâmicas de grupo (prepare-se perguntando a quem já passou por elas ou consultando gente especializada), exigem visual específico, coisa de ternos e tailleurs discretos. Não há lugar para chicletes, tatuagens e outras extravagâncias. Se o entrevistador implicar com seu horário de estudo, proponha outro que cumpra a jornada exigida.
Empregadores apreciam gente pró-ativa, decidida e convincente, mas não convencida. Valem determinação, pontualidade, garra e vontade de aprender. Pense em ser eficaz, desempenhando bem suas tarefas, e eficiente, fazendo-as com rapidez, tudo com um fundo de criatividade.
Para concluir...
Esta vem só deste “coroa”: o tempo passa muito rápido e é preciso aproveitá-lo com muita sabedoria. Lembro-me de meu trote na faculdade como se fosse ontem, e nesse ontem sempre me preocupei com o hoje de uma carreira que ainda prossegue. Os caminhos atuais variam nos seus detalhes, mas na sua essência são os mesmos que a experiência e o bom senso ensinavam no passado.
*Roberto Macedo, economista (USP), com doutorado pela Universidade Harvard (EUA), é professor, consultor econômico e na área educacional, e autor do livro Seu Diploma, Sua Prancha - Como Escolher a Profissão e Surfar no Mercado de Trabalho (São Paulo: Saraiva, 1998).
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