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Quanto custa criar um filho até o fim da faculdade?
Uma família de classe média deverá gastar entre R$ 243 mil e R$ 470 mil, de acordo com sua renda mensal, para criar um filho até os 22 anos.
30/01/2007
Revista Época
Imagem:
 
Na época da gravidez, muitas questões passam na cabeça dos pais. É menino ou menina, Como será o rosto do bebê, Será que ele vai nascer saudável. É um momento mágico. Só quem já teve um filho sabe do que estamos falando. Mas, quando "cai a ficha", as preocupações terrenas começam a aparecer. Será que terei condições financeiras de pagar um bom médico. E, quando ele começar a estudar, vou ter dinheiro para lhe pagar uma boa escola, o curso de inglês, E a natação, a viagem à Disney. Criar um filho, hoje em dia, exige muito dinheiro. E, se você quiser lhe oferecer o melhor, sem estourar o orçamento, precisa se planejar de forma adequada desde já. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos de Finanças Pessoais e Negócios (Cefipe), uma família de classe média deverá gastar, em valores atuais, entre R$ 243 mil e R$ 470 mil, de acordo com sua renda mensal, para criar um filho até os 22 anos. Na conta, incluem-se as despesas mensais com saúde, educação, alimentação, vestuário e lazer desde o nascimento até o fim da faculdade. "Uma coisa é o que o pai quer dar para o filho. Outra bem diferente é o que ele pode lhe dar", diz o consultor Louis Frankenberg, especializado em finanças pessoais e familiares. Um erro muito comum, de acordo com Frankenberg, é os pais calcularem as despesas dos filhos levando em conta o que vão ganhar no futuro. Eles fazem projeções, tiram daqui, colocam ali, mas, ao final, acaba faltando dinheiro. "É preciso raciocinar em função das despesas atuais", diz o consultor. "Senão o casal acaba se endividando e depois não consegue mais sair do buraco." Ao longo da vida, a educação é o maior gasto que os pais terão com os filhos. Segundo o estudo do Cefipe, ela representa 53%, em média, dos gastos totais dos pais. Em geral, o período em que um filho custa mais caro é o da faculdade, entre os 18 e os 22/23 anos. Além da mensalidade escolar dar um salto, os gastos com outros índices de consumo dos filhos nesse período costumam se multiplicar. As despesas com lazer, por exemplo, chegam a quadruplicar, com o aumento das viagens e de programas culturais. Como poupar para pagar a faculdade e um MBA? Os maiores gastos com um filho são os de educação. E, nesse quesito, as maiores despesas são com a faculdade e o MBA que ele poderá cursar. A faculdade de Medicina de uma das melhores escolas do país, por exemplo, pode custar R$ 170 mil, o equivalente a um apartamento de bom padrão nas principais cidades brasileiras. Por isso, os especialistas recomendam a realização de uma poupança específica. Para a maioria dos brasileiros, é a única forma de evitar sustos e garantir o futuro dos filhos. Como toda poupança de longo prazo, quanto antes você começar a poupar, melhor. O ideal, de acordo com Renato Zorzi, diretor de produtos da HSBC Seguros, é que os pais comecem a fazer a poupança quando a criança nasce. "O dinheiro rende juros sobre juros e se multiplica em progressão geométrica", diz Zorzi. "A quantia depositada no nascimento vai render por 18 anos e o que for depositado no último mês não vai render nada." Segundo uma simulação feita pela Unibanco AIG, quem quiser acumular uma poupança de R$ 100 mil até o filho completar 18 anos precisará fazer contribuições mensais de R$ 185. Se começar a poupar quando ele tiver 5 anos, a contribuição sobe para R$ 330. Se começar quando tiver 10 anos, R$ 696. Os bancos oferecem planos de previdência privada voltados para educação ou para jovens. Os depósitos mínimos iniciais variam de R$ 30 a R$ 70, conforme o plano. Na maioria, o beneficiário pode resgatar o saldo da s poupança em caso de morte do pai antes do vencimento do plano. Há três opções básicas: o agressivo, que aplica mais em ações que em renda fixa; o misto, que aplica em iguais proporções em ações e renda fixa; e o conservador, que se concentra em renda fixa. A opção deve variar de acordo com os objetivos financeiros. Quem começar a poupar no nascimento da criança pode escolher uma composição mais arriscada. Em economias estáveis, as ações tendem a render mais que a renda fixa no longo prazo. "O ideal é que os pais comecem a poupança com uma aplicação mais agressiva e migrem para a mais conservadora à medida que se aproxima o prazo da retirada", diz Jorge Nasser, diretor de marketing da Bradesco Vida e Previdência. "Assim, podem ganhar mais no começo e garantir o que conseguiram no final." Você também precisa escolher entre duas modalidades de planos de previdência privada: o PGBL e o VGBL. A diferença é que no PGBL você pode descontar o investimento do Imposto de Renda, desde que não ultrapasse 12% da renda bruta. O imposto é pago apenas na retirada, o que faz o dinheiro se multiplicar mais rapidamente, pois inclui rendimentos sobre os impostos não-pagos. Quem optar pelo VGBL vai ter de descontar os impostos na fonte, mas ficará livre de fazer qualquer desconto na hora da retirada. Segundo Zorzi, é por isso que o investidor prefere o PGBL.
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