|
Presença feminina nas escolas de negócios nacionais e estrangeiras ainda é pequena.
Mulheres nos bancos das escolas de negócios ainda são casos raros. Pelo menos, quando se trata de executivas com mais experiência profissional. Mesmo tendo conseguido abrir um importante caminho em direção à liderança nas empresas, ainda é muito difícil para elas romperem o teto de vidro que as separa do poder. O pequeno crescimento da participação feminina nos cursos de MBA no mundo todo é um reflexo dessa situação.
No Brasil, esse quadro não é diferente. Nas principais escolas e fundações que oferecem cursos de MBA e de liderança, como a Fundação Instituto de Administração (FIA) da USP, o Coppead da UFRJ, a Eaesp da FGV-SP, a Business School São Paulo, o Ibmec e a Fundação Dom Cabral, o número de mulheres em sala de aula, no geral, chega a apenas 20 ou 30% dos alunos.
Um percentual que cresce à medida que são analisados os cursos voltados a profissionais mais jovens, de nível gerencial. É o caso do CBA (Certificate in Business Administration) criado no ano passado pelo Ibmec São Paulo. O curso de pós-graduação, lato sensu, na área de finanças e gestão é voltado para empreendedores e jovens executivos. Nele, as mulheres representam 40% dos 470 alunos.
"A média de idade é 25 anos", diz VanDyck Silveira, coordenador do CBA. "Elas farão parte da próxima geração de líderes". Mas, as escolas acreditam que apesar da baixa participação das mulheres nos MBAs, ainda existe um bom espaço a ser preenchido. E, em todo mundo, tem existido um esforço para se entender as razões que afastam o sexo feminino desses cursos.
A Fundação Dom Cabral (FDC), por exemplo, estabeleceu um grupo de professores e gerentes consultores para estudar especificamente esse assunto. "Estamos tentando entender os progressos da carreira damulher no Brasil", explica Carlos Arruda, diretor de desenvolvimento da FDC.
A Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desde 2001, mantém junto com outras escolas de negócios, empresas e consultorias, um grupo que tenta mapear o que leva as mulheres a não freqüentarem os cursos de negócios. Um dos primeiros resultados das pesquisas realizadas pelo Forté Foundation, apontou como uma das causas, o preço.
Segundo eles, muitas mulheres não querem investir U$ 100 mil dólares em um MBA de dois anos, numa universidade "top", para depois de três ou quatro anos de formadas ainda receberem menos que os homens. Os pesquisadores acreditam que as mulheres acabam desistindo da carreira na área de negócios aos 20 e poucos anos.
Um exemplo é que o IMD, na Suíça, uma das escolas de negócios mais respeitadas do mundo, que costuma selecionar alunos com mais de trinta anos, tem apenas 16% de mulheres no primeiro ano do seu MBA. Outros motivos que afastam as mulheres da área de "business", segundo os pesquisadores da Forté Foundation, são a falta de ética, a falta de mais exemplos femininos no poder e as longas jornadas de trabalho.
Virgínia Parente, que está assumindo agora a diretoria acadêmica da Business School São Paulo, desenvolveu sua carreira executiva em instituições financeiras, mas sempre conciliou o trabalho com o estudo acadêmico. Fez curso de especialização na Universidade de Londres, concluiu o pós-doutorado no Brasil e agora está tendo a oportunidade de unir as duas experiências.
Apesar, de poder ser considerada um exemplo de sucesso ela desabafa: "Essa jornada tripla: família, estudo e trabalho não é nada fácil".
|