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O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, anunciou ontem o financiamento de 27 projetos de pesquisa aplicada e de desenvolvimento científico com inovação tecnológica em software livre. Para isso, o ministério em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) irá desembolsar R$ 4 milhões. O valor destinado a cada projeto irá variar de R$ 100 mil a R$ 300 mil e o prazo para execução é de 12 meses. Os projetos, que foram selecionados dentro de um universo de 267 propostas, concentram-se nas áreas de agropecuária, educação, ferramentas de softwares, banco de dados, telecomunicações, além de produtos voltados para o mercado empresarial privado e para a administração pública.
Na opinião do ministro, o desenvolvimento do software livre no Brasil deve ser estimulado cada vez mais, principalmente quando se pensa a longo prazo. Segundo ele, com a inclusão digital, que poderá se consolidar nos próximos anos, o país aumentará sua demanda por softwares. Se ainda permanecer dependente do mercado externo, poderá ocorrer um "gargalo econômico" na balança comercial, diz Campos. Isso porque aumentaria a demanda do país por programas e, conseqüentemente, as importações.
O ministro informou que a Lei de Inovação será anunciada amanhã junto à divulgação da política industrial do governo destinada aos setores de medicamentos, softwares, semicondutores e máquinas. A lei, que foi proposta no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso, mas sofreu alterações, incentiva a participação de pesquisadores das universidades em projetos de empresas do setor privado. Com isso, o conhecimento tecnológico das universidades será absorvido pelas empresas e os pesquisadores receberão parte dos ganhos obtidos na exploração comercial de suas pesquisas.
Tanto a Lei de Inovação quanto os projetos recém-aprovados irão ajudar a absorver o grande contingente de pesquisadores, disse Campos. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil forma cerca de 6 mil "jovens doutores" por ano. Boa parte deles está desempregada, apesar da extensa qualificação. "A formação de muitos profissionais não pode ser vista como problema e sim como oportunidade", observou. Por isso, busca-se absorver essa mão-de-obra também através de concursos públicos e financiamentos de instituições de amparo à pesquisa.
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