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País precisa de mais 396 mil professores
"Pesquisa da Unesco mostra que o maior número de educadores é requisito básico para garantir o ensino básico até 2015, mas desafio principal do Brasil é qualificar os que estão hoje nas escolas."

Data da Notícia: 27/04/2006


O Brasil vai precisar de mais 396 mil professores até 2015 para manter o
atendimento nas escolas de ensino básico. A reposição é o primeiro passo
para garantir a universalização. Mas o desafio brasileiro é muito maior:
qualificar a maioria dos professores que estão atualmente nas escolas e
investir mais recursos. 

 O relatório Educação para Todos 2006 - Professores e Educação de
Qualidade, lançado ontem pela Organização das Nações Unidas para Educação,
Ciência e Cultura (Unesco), mostra que o Brasil é, na América Latina, um
dos países com menor grau de formação dos professores. 

 O estudo mostra que a maioria dos professores brasileiros de 1ª a 4ª série
(92%) fez apenas o magistério, na definição da Unesco, o ensino médio mais
um ano ou dois de formação específica. Apenas Nicarágua e Panamá, entre os
países da América Latina que possuem dados, estão na mesma situação. Na
Argentina, por exemplo, 67% dos professores do primário têm curso superior.
No Chile, são 92%. 

 A qualificação dos professores vem crescendo no mundo todo, inclusive no
Brasil, mostra o documento da Unesco. Mas o relatório ressalva: coloca o
País, junto com Indonésia e Egito, entre os que precisam fazer grandes
esforços para garantir que todos os professores primários tenham ensino
superior. 

 Formar esses professores para melhorar o acesso e a qualidade das escolas
será, de acordo com a Unesco, o maior desafio brasileiro. O País continua
entre os países com maiores taxas de repetência do mundo – 21%, como a
Eritréia e Moçambique, maior do que Ruanda e Lesoto. Essa é uma das razões
para o Brasil ter contratar mais 396 mil professores nos próximos 10 anos.


 O número de alunos no ensino básico vêm diminuindo no País, assim como a
quantidade de crianças em idade escolar. 

 No entanto, como a taxa de repetência ainda é alta, essa redução não
acontece na velocidade que poderia. “A repetência reflete as más condições
de ensino e aprendizagem e aumenta a pressão sobre os professores e sobre
os recursos nacionais”, diz o relatório. 

 O estudo mostra, ainda, que os salários dos professores também estão entre
os problemas brasileiros. Quando comparado com outros 11 países da América
Latina e Caribe que possuem dados nacionais, o Brasil não está mal: tem o
quarto maior salário anual, de 8.780 dólares PPP (dólar Paridade de Poder
de Compra, na sigla em inglês, uma medida que permite a comparação entre
diferentes moedas). Mas perde de longe para o México, que tem economia
semelhante. 

 É justamente o salário que faz com que professores tenham de dar aulas de
manhã até à noite, sem tempo para reciclagem, nem estímulo para continuar.
“Você é humilhada, xingada, ouve de aluno que ele vai te pegar, que vai até
sua casa se não conseguir os resultados que quer. Eu, hoje, penso como os
Alcoólicos Anônimos, um dia de cada vez. Digo toda manhã: só por hoje
conseguirei dar todas as minhas aulas”, desabafa a professora Fátima Regina
de Souza, 51 anos. De segunda à sexta, ela começa a trabalhar às 7h14. E só
termina às 23h. 

 “Estudei seis anos, me formei em letras e faço cursos de atualização aos
sábados. Tenho de trabalhar tudo isso para conseguir um salário um pouco
melhor. Mas chego na escola e não posso nem tirar xerox para propor uma
atividade diferente.”		

Fonte: Jornal do Commercio



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