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Vai trabalhar? Divirta-se!
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Data da Notícia: 26/04/2006


 Nada mais chato na vida do que se ter um trabalho chato, cercado de
pessoas chatas e principalmente ser "liderado" por um chefe chato ! Isso
pode até matar, sabia? No ano passado uma pesquisa realizada por
especialistas ingleses do College of London descobriu que um contexto de
trabalho nessas circunstâncias, pode provocar ataque cardíaco!

 Em termos de gestão de pessoas, são muitos os fatores que podem produzir a
chatice no trabalho e eu não teria aqui espaço suficiente para falar de
todos eles num só artigo. Vou dedicar-me a um só ponto, justamente o mais
importante e decisivo para o clima interno: a chefia.

Liderança não significa autoritarismo

 Neste sentido, a chatice no trabalho começa quase sempre devido à tão
inabalável quanto despropositada crença que alguns "chefes" possuem e
manifestam a respeito do seu chamado "poder". E, por causa dele, mostram-se
diariamente grosseiros, autoritários, centralizadores e exibidores de
outros predicados muito pouco relacionados com as modernas teorias sobre
liderança, motivação, produtividade e condução de pessoas.

 Olhando apenas para o próprio umbigo, esses "donos da verdade e das
vontades" arvoram-se em privilegiada autoridade à qual toda a equipe deve
se submeter, sem contestações. Resultado disso? Pessoal desmotivado,
aumento dos processos trabalhistas com a alegação de assédio moral, elevado
absenteísmo e altíssimo turn-over.

Tudo tem um preço

 Ao mesmo tempo, horários são rigidamente controlados - desde o da pausa
para o cafezinho ao da ida ao banheiro, onde aqueles "gestores" acreditam
que há um tempo médio e máximo de permanência...Ou seja, os colaboradores
que estiverem com desarranjo intestinal poderão adicionalmente ter também
problemas disciplinares por ultrapassarem o tempo de tolerância permitido
no toalete.

 E os gritos, acompanhados de perdigotos? E as cobranças e olhares
ameaçadores? E a falta de atenção, de "bom dia, boa tarde, como foi seu fim
de semana, obrigado, com licença, por favor, parabéns?" Eu fico me
perguntando se essas pessoas já ouviram falar em qualidade de vida e se já,
o que pensam dela. Pergunto-me que prioridades essas pessoas dão às suas
vidas - trabalho, família, amores, sonhos, diversão, saúde, etc. Certamente
todo resultado que atingimos na vida nos cobra um preço.

 A questão é avaliar sempre: vale a pena? Por este resultado que vou obter,
compensa pagar esse preço? Compensa ultrapassar as metas e conviver com uma
equipe ressentida, desmotivada, emocionalmente doente e que não vê a hora
de trocar de barco na primeira oportunidade? E na vida pessoal? Que preço
essas pessoas estão pagando nas suas relações pessoais e familiares em
troca de um polpudo saldo em conta corrente ou na aplicação?

Dê o melhor de si, mas não perca de vista o resto!

 Tenho sempre repetido que não é de bom senso permitir que nossa felicidade
dependa de fatores sobre os quais não temos nenhum poder de decisão. Dê o
melhor de si no seu trabalho, com ética e profissionalismo - mas não perca
de vista que ele não é tudo na sua vida.

 Ao encerrar o expediente, deve haver um outro mundo à sua espera: família,
bons amigos, boas diversões, afetividade, arte, cultura, passeios. Se você
conseguir fazer com que as perspectivas dessa segunda etapa do dia (após o
expediente de trabalho) sejam altamente compensadoras, você, durante o
trabalho, estará sempre com um sorriso nos lábios, antecipando os prazeres
que terá depois de uma inevitável, mas desnecessária e absurda jornada de
chatice. Você até descobrirá que há gente e coisas boas no seu ambiente de
trabalho, até então imperceptíveis. No mínimo, tente. Não seja chato!

(*) Floriano Serra é psicólogo, diretor de RH e Qualidade de Vida da
APSEN Farmacêutica, autor do livro "A Empresa Sorriso" ( Butterfly
Editora), lançado este mês na Bienal.
		

Fonte: InfoMoney



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