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MEC pode apoiar projeto que extingue Provão
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Data da Notícia: 10/06/2003


Estudantes de 704 municípios do País fizeram a provável última avaliação


O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais do
Ministério da Educação (Inep/MEC), Otaviano Helene, confirmou ontem que o
Provão não deve se repetir em 2004. O MEC deve apoiar um projeto de lei do
deputado federal Ivan Valente (PT-SP), que pede a revogação da lei que
instituiu o exame.


O que parece ser o último Provão foi realizado na tarde de ontem em 704
municípios do País. Estavam inscritos 470 mil formandos do ensino superior,
mas o Inep não tinha o número de participantes. "Se esse projeto for
aprovado, não seria necessário nem realizar qualquer outro exame de
conteúdo", diz Helene. Para ele, o mais importante é evidenciar a Avaliação
de Condições de Ensino, na qual professores do MEC verificam in loco a
organização didática-pedagógica, o corpo docente e as instalações de cada
curso.


"O Provão é muito ruim. Ele não mede o valor adicional que o curso deu para
o estudante, para a região e para a área do conhecimento." O projeto de
Valente, protocolado quinta-feira, propõe que seja revogado o artigo da Lei
9.131, de 24 de novembro de 1995, que institui "a realização a cada ano de
exames nacionais com bases nos conteúdos mínimos estabelecidos para cada
curso" e ainda que a realização do Provão é "condição prévia para obtenção
do diploma". "O sistema tem de avaliar o processo e não o produto, como faz
o Provão", disse o deputado.


"Ele é apenas uma comparação de instituições." O Inep deve divulgar hoje o
número de pessoas que compareceram à prova. A intenção do MEC de promover
mudanças no Provão dividiu opiniões entre formandos que fizeram o teste em
Brasília. "Ele força as instituições a cobrar mais delas mesmas e dos
estudantes", disse Letícia Farnese, de 25 anos, que cursa aFaculdade de
Odontologia do Planalto Central (Foplac).


Para o estudante de veterinária Marcos Henrique Faria, o teste não faz
diferença, uma vez que ocorre no fim do curso. "O MEC não faz nada durante
o curso. Aí, no final, vem, avalia e não muda muita coisa", disse ele, que
é aluno da Universidade de Brasília (UnB). A formanda em psicologia
Gislaine da Silva Mendes, de 24 anos, criticou as questões formuladas no
Provão deste ano. "A prova só exigia decoreba", disse ela, que estuda na
Universidade Católica de Brasília.


Em São Paulo, estudantes também comentaram a iniciativa do MEC de mudar o
Provão. "O maior problema do Provão é como as faculdades utilizam as
notas", disse Maria Carolina Abe, formanda de Jornalismo, da Universidade
de São Paulo (USP). Para ela, deveriam existir avaliações específicas para
cada curso, e não um exame nacional. "O fim do Provão também não é a
saída", completou Marcelo Vessoni, estudante de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade Mackenzie.


Resultados - A partir de novembro, os estudantes que participaram do exame
poderão obter suas notas pela internet no site www.inep.gov.br. Os alunos
receberam ontem uma senha, essencial para o acesso. Outra opção é solicitar
o boletim pelos correios para o Inep, também a partir de novembro.


Helene confirmou ontem que as mudanças no Provão podem começar já este ano,
quando forem divulgados os resultados. Até agora, as instituições sempre
receberam notas que variavam de A a E, calculadas a partir da média geral
de cada área avaliada. "Fica parecendo que quem tira A ou B é muito bom e
quem tira C, D ou E, muito ruim." Segundo ele, o problema é que esse
sistema permite que as notas signifiquem desempenhos diferentes, dependendo
da área.


Em Medicina, por exemplo, por causa da média geral de 45,4 no ano passado,
os cursos que tiveram A tiraram notas superiores a 52 (escala de 0 a 100).
Já em Engenharia Civil, que teve média de 24,8, o conceito A foi dado a
cursos que obtiveram nota 33,7, ou seja acertaram pouco mais de 30% da
prova.


A intenção do Inep agora é revelar as notas dos cursos na escala de 0 a
100. As mudanças para o próximo ano estão sendo estudadas por uma comissão
especial instalada pela Secretaria do Ensino Superior do ministério e suas
conclusões serão divulgadas em agosto. (Colaboraram Demétrio Weber, Mariana
Sant´Anna e Bruno Tavares)		

Fonte: O Estado de São Paulo, 09/06/2003 - São Paulo SP



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