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MEC desmoraliza o Provão
"" Data da Notícia: 16/12/2003 Resultados do Exame Nacional de cursos, que apontam deficiência em 70% da
graduação no País, são usados pelo Ministério da Educação para
desqualificar atual metodologia, herança do governo Fernando Henrique, e
substituí-la por outro tipo de avaliação.
Embora as notas oficiais informem que menos de 30% dos cursos superiores do
País tenham conceitos D e E no Exame Nacional de Cursos (Provão), para o
Ministério da Educação (MEC), 70% do ensino superior brasileiro foi
reprovado. Ao divulgar, ontem, os resultados da oitava edição Provão, o MEC
preferiu enfatizar os pontos fracos da avaliação, que foi ícone da educação
no governo Fernando Henrique Cardoso. Um relatório preparado pelo Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) revelou que, se fosse
considerada a pontuação absoluta obtida pelos estudantes, nenhum curso
brasileiro poderia fazer jus ao conceito A, já que nenhuma instituição teve
média acima de 80 pontos, em provas que valiam 100.
A metodologia do Provão confere nota A para o grupo de cursos com as
maiores notas dentro de uma mesma área, não importando a pontuação obtida.
É por isso que, embora apenas duas das 26 áreas avaliadas, odontologia e
fonoaudiologia, tenham tido média superior a 50 pontos, 14,5% dos cursos
do País tenham obtido conceito A e 12,8% conceito B. "O conceito A,
historicamente, significa excelência. Em uma escala de zero a 100,
significa estar mais próximo possível do 100, mas a metodologia que utiliza
conceitos relativos resulta na atribuição de A para cursos cuja média
obtida no exame está muito distante de 100", destaca o relatório do Inep.
Este ano, a nota 46,3, em administração, significou conceito A. Mas a nota
49,7, em odontologia, deu às instituições o conceito D. Em engenharia
civil, uma média 50 garantiu o conceito A, mas em fonoaudiologia a média
52,3 foi conceito C. Em matemática, o conceito 29,4 é A. "Durante anos a
sociedade enxergou o conceito A como de excelência. Mas, pelas médias,
nenhuma área recebeu nota nove ou dez. Por isso, o Provão é insuficiente
para ser o pilar da avaliação", salientou o presidente do Inep, Luiz
Araújo. Na avaliação do Inep, da forma como o Provão é feito atualmente não
é possível nem mesmo comparar os resultados de um ano para o outro. "Os
dados mostram que o A de um curso de engenharia civil, em 2002, era de 33,7
pontos, mas, em 2003, o mesmo A exigiu uma média 50. Com isso, o A de um
ano equivale ao C do ano seguinte". A iniciativa do MEC, que pretende
substituir o Provão pelo Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior
(Sinaes) já no próximo ano, causou mal estar. Para a ex-presidente do Inep
e uma das idealizadoras do Provão, Maria Helena Guimarães de Castro, a
avaliação feita pelo governo petista tem "claramente a intenção de
desqualificar e minimizar o papel do Provão". Segundo ela, o teor do
documento foi politizado. Atualmente secretária de Assistência e
Desenvolvimento Social do governo de São Paulo, Maria Helena disse que a
adoção do conceito de letras servia para que a sociedade pudesse comparar o
desempenho do curso oferecido por uma instituição com o desempenho médio
nacional. "Não achávamos que tinha relevância divulgar as notas dessa forma
(usada pela atual equipe)". |
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