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Atrasos, confusão e boicote de alunos
marcam o dia do exame
"" Data da Notícia: 10/06/2003 Estudantes entregaram prova em branco, por não acreditarem na avaliação
Na Faculdade de Tecnologia (Fatec), na zona norte da capital, o Provão
quase virou caso de polícia. Três alunos chegaram ao local da prova às
13h02, dois minutos depois do fechamento dos portões, e foram impedidos de
entrar, mas não sem protestar. Samira Geha, estudante de Pedagogia, disse
que saiu às 11 horas de São Miguel Paulista, zona leste da cidade, e acabou
se atrasando porque errou a saída na estação do metrô. "Agora não vou poder
obter meu diploma", protestava.
Hélio José da Silva, estudante de Matemática, tentou ser prevenido, como
Samira: saiu às 10h30 de casa, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, mas
também se atrasou. Com o tempo, outros atrasados começaram a se juntar no
portão da faculdade e Douglas Franco de Sá, aluno de Matemática que perdeu
a prova por três minutos, ameaçou pular o portão.
A confusão fez com que um veículo da Polícia Militar parasse diante da
faculdade, o que chamou a atenção de outros carros da PM que passaram pelo
local. Alguns minutos depois, seis veículos policiais se juntaram na frente
da Fatec. Somente após a intervenção da polícia, e quase uma hora depois do
fechamento do portão, o tumulto foi encerrado, sem que os atrasados
pudessem realizar a prova.
Boicote - Na Escola da Polícia Militar, na zona norte, muitos alunos
boicotaram o Provão. Os estudantes consideram o exame injusto e incoerente,
porque acaba avaliando o aluno e não a instituição. Exatamente uma hora e
meia após o início da prova, muitos já deixavam o prédio. A maioria havia
entregue a prova em branco em sinal de protesto. "Uma prova não consegue
avaliar direito um aluno, muito menos uma instituição de ensino", acredita
a estudante de pedagogia da PUC-SP Adriana Antunes Yamamoto.
Os alunos do curso de Jornalismo da Cásper Líbero também fizeram uma
assembléia e resolveram boicotar o Provão. "O Provão tem de respeitar o
processo pedagógico, que é diferente em cada faculdade", acredita o aluno
Alexandre Gavioli. No Recife, estudantes de Medicina e Enfermagem da
Universidade de Pernambuco (UPE) e de Direito da Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE) fizeram campanha para que os participantes do provão
entregassem o teste em branco, boicotando o sistema de avaliação que eles
consideram "fictício e precário".
Indignada, Rosamaria Oliveira Bezerra, de 22 anos, estudante de Direito,
aderiu ao protesto e entregou o gabarito em branco. Além de questionar os
critérios da avaliação, que considera falhos, ela frisou que o resultado do
provão tem sido o de punir quem se sai bem. "O curso de Direito da UFPE
sempre tira A, por mérito dos estudantes, mas a conseqüência da boa
performance foi mais corte de verbas."
Horácio Cavalcanti, de 28 anos, aluno de Medicina, que participou de
manifestação na frente do Colégio Santos Dumont, em Boa Viagem, disse que o
objetivo é o de que os cursos de Medicina e Enfermagem - engajados no
boicote - tirem conceito E no Provão. Segundo ele, a pior nota não
refletiria o conhecimento dos alunos, mas sua posição firme contra esta
forma de avaliação.
Distância - No Rio, o maior problema foi em relação ao local das provas,
que ficou longe da casa de alguns estudantes. "Moro em Vista Alegre (zona
norte) e tive de sair cedo de casa para chegar aqui", reclamou a estudante
de Letras Ana Paula Rodrigues Lacerda, que fez a prova na Escola Municipal
Alencastro Guimarães, em Copacabana, na zona sul.
Quanto aos boicotes, houve apenas pequenos protestos, realizados, na
maioria, por estudantes de Comunicação Social, que tentaram convencer os
colegas a entregar as provas em branco. O Inep ainda não pôde identificar a
quantidade de alunos que boicotou o exame.
A União Nacional dos Estudantes (UNE) pretendia realizar atos comemorativos
ao fim do Provão, mas, segundo seu presidente, Felipe Maia, realizaram
apenas atos isolados em favor do boicote em algumas escolas. (Mariana
Sant´Anna, Niza Souza, Ângela Lacerda e Nicola Pamplona.
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