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Professor aprende a cuidar melhor da voz
"De acordo com estudos, 50% dos professores brasileiros têm problemas provocados pelo mau uso da voz nas salas de aulas, como a rouquidão." Data da Notícia: 16/11/2005 De acordo com estudos, 50% dos professores brasileiros têm problemas
provocados pelo mau uso da voz nas salas de aulas, como a rouquidão.
Salas com mais de 30 alunos e cargas horárias que exigem mais de quatro
horas ininterruptas de aulas expositivas fazem com que os professores
estejam entre os profissionais com maior risco de problemas vocais. Para
prevenir esses distúrbios, em Timóteo, a 196 quilômetros de Belo Horizonte,
no Vale do Aço, a Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social está
oferecendo um curso de promoção de saúde vocal para professores, com o tema
“Aprenda a cuidar e adequar o uso da voz na sala de aula”.
A responsável pela iniciativa é a fonoaudióloga Andréa Alves Maia,
pesquisadora na área de voz da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
De acordo com ela, todos os estudos feitos com professores, no Brasil,
indicam que cerca de 50% sofrem de problemas provocados pelo mau uso da
voz, como cansaço vocal e rouquidão. “Por se tratar de uma única categoria
profissional, esse índice é alto e nos põe em alerta. Problemas com o
aparelho fonador são as principais causas de afastamento, aposentadoria e
remanejamento de educadores para outras áreas de trabalho na escola. É
elevado o número de professores que são retirados da sala de aula e passam
a cumprir funções administrativas”, afirma.
A fonoaudióloga atribui o alto índice de ocorrência de problemas vocais em
professores ao desconhecimento do correto uso da voz. “Como muitos outros
profissionais, os educadores têm a voz como instrumento de trabalho.
Entretanto, ao contrário do que ocorre em outras categorias, a grade
curricular dos cursos para formação de docentes não inclui disciplinas que
orientem o professor sobre as técnicas vocais corretas e pertinentes a seu
trabalho”, diz.
Entre os erros mais comuns, ela cita a não-adequação da intensidade da voz
ao local em que se fala. “Muitas vezes, o professor fala gritando, sem
necessidade, e mesmo depois de deixar a sala de aula mantém esse padrão de
voz. Isso gera cansaço excessivo da voz. Para piorar a situação, muitos só
reconhecem que têm problemas vocais quando a rouquidão é persistente. Adiar
o tratamento só agrava o quadro e, em alguns casos, apenas uma cirurgia
resolve o problema.”
HIDRATAÇÃO Ainda de acordo com a fonoaudióloga, o conhecimento de técnicas
vocais corretas é essencial para que os professores enfrentem a rotina de
trabalho que, na maioria das vezes, tem carga diária de mais de 4 horas, em
amplas salas de aula nas quais sua voz tem que sobressair à de mais de 35
alunos. “Aquecimento e desaquecimento do aparelho fonador, associados a
exercícios que trabalhem a articulação e amplificação do som são essenciais
para que eles consigam projetar a voz sem esforço. Paralelamente, cuidados
gerais com saúde, alimentação equilibrada e hidratação também são
importantes. O aconselhável é que procurem profissionais capacitados a
orientá-los”, afirma.
A diretora da Escola Municipal Angelina Alves de Carvalho, Rita Maria do
Carmo Duarte, participa do curso e, há 11 anos na profissão, sofre os
efeitos do desgaste vocal em sala de aula. “Em 1994, tive problemas de
nódulo bilateral, os famosos calos de voz. Fiz terapia duas vezes e por
pouco não fui afastada do trabalho. O tratamento amenizou o problema, mas,
em 1998, tive que me tratar novamente e continuei lecionando até 2000.
Atualmente, como diretora, poupo a voz, mas mesmo assim o esforço é grande.
Não recuperei toda a potência vocal”, diz.
Rita reconhece a falta de informação dos professores sobre o assunto.
“Durante o curso, pensamos em levar ao Sindicato Único dos Trabalhadores em
Educação (Sind-UTE) novas propostas sobre cuidados com a saúde vocal. Os
professores devem ter mais acesso a essas informações, para evitar
problemas”, diz. A responsável pelo grupo coletivo de Saúde do Trabalhador
do Sind-UTE/MG, Inês Gouveia, explica que a saúde vocal é um dos temas
abordados pela entidade por ser, ao lado de doenças emocionais, uma das
principais causas de afastamento e aposentadoria. “Problemas do aparelho
fonador ainda não são reconhecidos como doença ocupacional e isso é um
entrave à adoção de ações preventivas pelos governos. A Assembléia
Legislativa estuda algumas propostas e estamos aguardando uma decisão”,
diz.
"Muitos só reconhecem que têm problemas vocais quando a rouquidão é
persistente. Adiar o tratamento só agrava o quadro" - Andréa Alves Maia,
fonoaudióloga |
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